Anexo 7 - Interações importantes

Interações

A administração conjunta de dois ou mais fármacos é uma situação comum na prática clínica e pode ter como objetivo obter os efeitos terapêuticos desejados. Podem, porém, surgir alterações na intensidade e duração da resposta de um fármaco pela presença de outro, definidas como interações. Muitas das interações que ocorrem não são perigosas e as que o são só acontecem num número muito pequeno de doentes, com gravidade que varia de um doente para outro. A probabilidade de ocorrerem interações com significado clínico aumenta com o número de fármacos tomados e se são usados de forma contínua, embora o uso esporádico possa ter também um papel importante na sua origem. O doente idoso é um caso paradigmático, porque a comorbilidade leva a que tome, por vezes, cinco ou mais fármacos em simultâneo. Se estes tiverem um índice terapêutico baixo ou necessitarem um controlo cuidadoso da dosagem, como os anticoagulantes, se for grave o estado geral do doente, se o seu metabolismo hepático está alterado ou sofrer de insuficiência renal, a probabilidade de surgirem interações é muito elevada.

A capacidade de prever o sentido e a intensidade da variação da resposta assenta, em primeiro lugar, na compreensão dos mecanismos pelos quais ocorre cada interação, que podem ser de natureza farmacodinâmica, farmacocinética ou combinadas.

 Os mecanismos farmacodinâmicos ocorrem quando há modificações nos recetores ou nos processos celulares ou tecidulares da resposta, combinação de efeitos, alterações no equilíbrio hidroelectrolítico, no pH dos fluidos orgânicos ou na intensidade da síntese proteica. São facilmente identificados quando se administram de forma concorrente fármacos com efeitos semelhantes, que podem ou não atuar nos mesmos recetores, observando-se então uma resposta aditiva ou sinérgica. Inversamente, fármacos com efeitos opostos podem reduzir a resposta de um ou de ambos. As interações farmacodinâmicas são relativamente comuns na prática clínica, mas as suas consequências podem ser controladas se forem conhecidos os mecanismos de ação dos fármacos envolvidos e o perfil das moléculas que interagem. De um modo geral as interações demonstradas com uma molécula ocorrem normalmente com moléculas relacionadas. O uso combinado de dois ou mais fármacos, cada um dos quais com efeitos tóxicos sobre o mesmo órgão, aumenta a probabilidade de agressão por mecanismo combinado. Acontece, por exemplo, com o uso concorrente de agentes que produzem toxicidade renal: embora a dose de um isoladamente possa ser insuficiente para produzir esse efeito, potencia a toxicidade de outro e os mecanismos intervenientes são muitas vezes desconhecidos.

Os mecanismos farmacocinéticos também podem afetar a velocidade e a extensão da absorção por: alteração da motilidade gastrintestinal; alteração do pH gástrico; ligação ou formação de complexos no lume intestinal que retarda e diminui a absorção no intestino; o transporte de proteínas e os transportadores de aniões orgânicos. Porém, só a redução na extensão da absorção será clinicamente relevante por resultar em níveis infraterapêuticos.

Durante a distribuição, os mecanismos que podem conduzir a interações de fármacos incluem:
1. deslocamento de um fármaco da proteína de transporte no sangue com consequente elevação transitória da concentração plasmática e eventual toxicidade;
2. deslocamento dos locais de ligação nos tecidos;
3. alterações na concentração de fármacos em compartimentos especiais como resultado de modificações da atividade de proteínas ABC (“ATP Binding Cassette”) também designadas por “proteínas resistentes a múltiplos fármacos”, como a glicoproteína-P, que bombeiam fármacos contra gradientes de concentração; estes mecanismos só raramente serão origem de reações adversas.
4. indução ou inibição do metabolismo, em particular pelas isoenzimas do citocromo P450 (CYPs) e das subfamílias CYP1A2, CYP2C9, CYP2C19, CYP2D6, CYP2E1 e CYP3A4. O quadro I indica as isoenzimas e alguns dos fármacos metabolizados (substratos), indutores e inibidores seletivos.
5. alteração da excreção renal do fármaco, com desaparecimento mais rápido e concentrações plasmáticas decrescentes, abaixo dos valores mínimos eficazes ou, pelo contrário, atraso na eliminação com subida dos níveis sanguíneos e toxicidade.

Quadro 1: Citocromos hepáticos humanos P450 (CYPs) e alguns dos fármacos metabolizados (substratos), indutores e inibidores 
 

 CYP

 Substratos

 Indutores

 Inibidores

 1A2

Paracetamol, teofilina, tamoxifeno, riluzol, varfarina, cafeína, clozapina, clomipramina, naproxeno, olanzapina

Tabaco, omeprazol, repolho, brócolos

Fluvoxamina, ciprofloxacina, flutamida

 2C9 Flurbiprofeno, ibuprofeno, celecoxibe, tolbutamida, losartan, S-varfarina  Barbitúricos, rifampicina, carbamazepina Ritonavir, fluconazol, fluvoxamina
 2C19 Diazepam, naproxeno, omeprazol, propranolol  Barbitúricos, rifampicina, carbamazepina Fluvoxamina, fluoxetina, ritonavir, omeprazol 
 2D6 Clomipramina, codeína, clozapina, fluoxetina, haloperidol, metoprolol, paroxetina, risperidona, antidepressores tricíclicos, tramadol, metoclopramida Desconhecidos Paroxetina, fluoxetina, sertralina, bupropiona, cimetidina, terbinafina
 2E1 Paracetamol, etanol  Etanol crónico, tabaco, diabetes não controlada  Dissulfiram, agriões, alcoolismo agudo 
 3A4 Paracetamol, amiodarona, ciclosporina, diazepam, di-hidroergotamina, diltiazem, eritromicina, etinilestradiol, dihidropiridinas, indinavir, lidocaína, lovastatina, macrólidos, midazolam, miconazol, progesterona, ritonavir, tacrolímus, tamoxifeno, verapamilo, alprazolam, buspirona   Carbamazepina, corticosteroides, macrólidos, pioglitazona, troglitazona, fenitoína, nevirapina, efavirenz, hipericão Diltiazem, eritromicina, fluconazol, cetoconazol, ritonavir, ciprofloxacina

Numa prescrição que envolva mais do que um fármaco ou para um doente já medicado, é muito importante compreender o efeito de cada agente no sistema CYP450, porque as interações podem reforçar ou reduzir a atividade dos fármacos, enquanto aumentam os efeitos adversos. Outro fator importante para o risco de interações é a possibilidade de polimorfismos que dão origem a uma característica farmacogenética para os utilizadores da medicação, traduzida na variabilidade interindividual da resposta.

A interação entre alimentos e medicamentos, referida com frequência, não está ainda estruturada, embora se conheçam alguns exemplos que nos levam a aceitá-la. Na maioria das vezes esta interação é de natureza cinética. A ingestão simultânea de alimentos pode afetar a absorção, a biodisponibilidade, o metabolismo e a eliminação de um medicamento ou não interferir de todo com o efeito deste. É conhecido, por exemplo, o aumento da biodisponibilidade da sinvastatina pelo sumo de toranja, uma interação que envolve a glicoproteína-P. Porém, as interações mais comuns ocorrem ao nível do metabolismo, sendo o álcool o agente mais vezes responsabilizado.

A possibilidade de interferência dos medicamentos com os resultados dos exames bioanalíticos tem sido de igual modo considerada, dependendo as eventuais alterações da dosagem e do tempo de administração do fármaco. Cabe ao médico assistente diferenciar, em cada caso, se a eventual alteração analítica se deve ao fármaco ou a patologia associada.

Tendo presente a possibilidade incontável de interações farmacológicas recomenda-se, no sentido de reduzir as situações adversas, que o médico antes de prescrever um novo fármaco:
1. identifique a medicação em curso, incluindo a automedicação;
2. reduza ao mínimo o número de medicamentos a usar em conjunto, em especial nos grupos de maior risco (crianças, idosos, insuficientes hepáticos ou renais), tendo ainda em conta o sexo e a origem étnica;
3. informe o doente sobre: a influência do consumo de álcool; a eventualidade de surgirem alguns efeitos adversos graves; a eventual necessidade de interromper o medicamento origem da interação e
4. em caso de dúvida, consulte o resumo das características do medicamento antes da sua adição à terapêutica instituída.

As autoridades reguladoras decidem autorizar os medicamentos após uma avaliação dos seus benefícios e riscos, com base nos resultados de ensaios clínicos. Apenas são disponibilizados no mercado os medicamentos para os quais tenha sido demonstrado que os benefícios são superiores aos seus riscos. No entanto, importa ainda salientar que deverá ser dada especial atenção a todos os medicamentos de introdução recente no mercado, isto é, que foram aprovados mais recentemente pelas autoridades reguladoras e cujo período de utilização numa população mais alargada é ainda curto. Estes medicamentos devem ser merecedores de atenção particular por parte dos prescritores e restantes profissionais de saúde, porque nem sempre os dados existentes são suficientes nesta fase para se afirmar, com segurança, a não existência de risco de interação no uso simultâneo com outros medicamentos. Para além disto, os medicamentos sujeitos a monitorização adicional apresentam um triângulo preto invertido no Folheto Informativo e na informação destinada aos profissionais de saúde, o chamado Resumo das Características do Medicamento. Caso um medicamento seja identificado com o triângulo preto, isso significa que o mesmo está a ser monitorizado ainda mais intensivamente do que os restantes medicamentos. Geralmente, tal deve-se ao facto de existirem menos informaç̧ões disponíveis sobre o medicamento sujeito a monitorizaç̧ão adicional do que sobre os outros medicamentos.

A tabela seguinte apresenta, para alguns dos fármacos ou grupos de fármacos com monografia neste prontuário, os mecanismos prováveis das interações clinicamente significativas que estão indicadas na respetiva monografia. Espera-se que o conhecimento desses mecanismos auxilie a antecipar qual a probabilidade de interação quando há associações de vários fármacos.

Quadro 2: Interações mais importantes

Fármacos ou grupo de fármacos

Propriedades que promovem a interação

Interações clinicamente documentadas

Abacavir   Antivírico com baixo potencial para interações medicamentosas. Reduz a concentração plasmática de: metadona e de fenobarbital.
A concentração plasmática é reduzida por: rifampicina, fenitoína e tipranavir.
Acenocumarol V. Anticoagulantes orais V. Anticoagulantes orais
Acetato de Eslicarbazepina
É um fraco indutor da CYP3A4 e das UDP- glucuronil transferases (conjugação);
É inibidor do CYP2C19

Fármacos cujo metabolismo é induzido pela eslicarbazepina:
Contracetivos hormonais
Fenitoína (necessidade de ajuste da dose)
Topiramato (sem necessidade de ajuste da dose)
Varfarina (necessidade de controlo do INR nas primeiras semanas de uso concomitante de eslicarbazepina e varfarina)

Eslicarbazepina aumenta a depuração da: carbamazepina

Eslicarbazepina em tratamento concomitante: com Carbamazepina, Valproato e levetiracetam: aumenta os efeitos adversos (diplopia, coordenação anormal, vertigens)

Ácidos biliares - resinas sequestradoras As resinas podem ligar-se, no tubo digestivo, a fármacos administrados por via oral. Podem também ligar-se a fármacos que sofrem circulação entero-hepática, mesmo se estes fármacos forem administrados por via parentérica

Fármacos cuja absorção pode ser reduzida:
Diuréticos tiazídicos
Furosemida
Digitálicos (digoxina): possivelmente
Metotrexato
Micofenolato
Paracetamol
Tiroxina

V. também: Anticoagulantes orais

Álcool Alcoolismo agudo - tende a inibir o metabolismo; alcoolismo crónico - conduz a indução enzimática e, na forma grave, pode inibir a capacidade metabolizadora do fígado; reação de tipo dissulfiram com alguns fármacos; efeito aditivo com depressores do SNC

Acitretina: aumento da conversão da acitretina em etretinato (teratogénico)
Anticoagulantes orais: aumento do efeito hipoprotrombinémico na intoxicação alcoólica aguda
Depressores do SNC: efeito aditivo ou sinérgico
Dissulfiram: inibição da aldeído-desidrogenase
Insulina: aumento do efeito hipoglicémico com ingestão aguda de álcool
Paracetamol: aumento da formação de metabolitos hepatotóxicos do paracetamol

Podem produzir reação - tipo dissulfiram:
Cefalosporinas
Clorpropamida
Metronidazol
Sulfonilureias

Alogliptina Ver Antidiabéticos orais  

Alopurinol

Inibe as enzimas do metabolismo hepático de fármacos

Anticoagulantes orais: aumento do efeito hipoprotrombinémico
Azatioprina: aumento da toxicidade
Mercaptopurina: redução do metabolismo e aumento da toxicidade

Amlodipina V. Bloqueadores dos canais de Cálcio  

Ansiolíticos

Aumento do efeito sedativo por inibição do CYP3A4. Efeito aditivo com depressores do SNC. Inibição enzimática.  Antifúngicos: inibição do metabolismo com maior toxicidade
Anti-histamínicos: aumento do efeito depressor no SNC
Antipsicóticos: adição de efeitos depressores no SNC
Antivíricos inibidores da protease: inibição do metabolismo com maior toxicidade
Buprenorfina: adição de efeitos depressores no SNC
Buspirona: hipertensão com selegilina por inibição da MAO
Carbamazepina: inibição do metabolismo com aumento do efeito/toxicidade
Cimetidina: inibição do metabolismo deste antagonista H2
Dextropropoxifeno: adição de efeitos depressores no SNC
Diltiazem: inibição do metabolismo das benzodiazepinas
Fenitoína: inibição do metabolismo dos ansiolíticos
Imipramina: inibição do metabolismo do antidepressor
Macrólidos: inibição do metabolismo destes fármacos
Opiáceos: adição de efeitos depressores no SNC
Primidona: inibição do metabolismo com aumento do efeito depressor
Valproato de sódio: aumento do efeito depressor no SNC
Antagonistas dos Recetores II da Angiotensina (ARA II)

Por aumento do risco de hipercaliemia



Aumentam o efeito hipotensor

 

 

 

 Aumentam o risco de toxicidade

Aumentam o risco de hipercaliemia quando associados a ARA II:
Inibidores da enzima de conversão da angiotensina: Ciclosporina, Diuréticos poupadores de potássio e antagonistas da aldosterona, Heparinas, Sais de potássio, Tacrolímus.

Aumentam o efeito hipotensor quando associados a ARA II: AINEs, Álcool, Alprostadil, Anestésicos gerais, Antipsicóticos, Ansiolíticos, Baclofeno, Bloqueadores adrenérgicos alfa, Bloqueadores adrenérgicos beta, Bloqueadores dos canais de cálcio, Clonidina, Diazóxido, Diuréticos, Estrogénios, Hidralazina, Hipnóticos Levodopa, IMAOs, Metildopa, Minoxidil, Moxonidina, Nitroprussiato de sódio,
Nitratos, Tizanidina, Trimetoprim.

Aumentam o risco de toxicidade: os fármacos mielossuppressores

Os ARA II: Reduzem a excreção de Lítio

O efeito anti hipertensor dos ARA II é antagonizado por: Corticosteroides

Reduz a concentração do Losartan: Rifampicina

Antiácidos

Os antiácidos podem reduzir a absorção por adsorção de fármacos no tubo digestivo ou porque os fármacos requerem pH ácido para a absorção.
Tendem a acelerar o esvaziamento gástrico, aumentando a absorção intestinal dos fármacos.
Alguns (ex.: hidróxido de alumínio ou de magnésio) alcalinizam a urina, alterando a eliminação de fármacos sensíveis ao pH urinário.

Atazanavir: absorção reduzida
Bifosfonatos: absorção reduzida
Bloqueadores adrenérgicos beta: absorção reduzida
Cetoconazol, Itraconazol: absorção reduzida por elevação do pH (requerem ácido para absorção)
Corticosteroides: redução da absorção e do efeito
Digoxina: absorção reduzida
Estatinas: redução da absorção; alterar horário das tomas
Ferro: redução da absorção intestinal com antiácidos à base de óxidos ou hidróxidos de alumínio, magnésio e de cálcio
Indinavir: redução da absorção
Itraconazol: redução da absorção
Polistireno sulfonato sódico: liga o catião antiácido no intestino, resultando em alcalose metabólica
Quinolonas: redução da absorção da ciprofloxacina, enoxacina e outras, por quelação com catiões bi ou trivalentes
Salicilatos: aumento da excreção urinária dos salicilatos com doses altas de salicilatos
Tetraciclinas: redução da absorção
Tiroxina: absorção reduzida

 Antiarrítmicos (AA) Aumentam a depressão do miocárdio quando são administrados com outros AA
Aumentam o risco de arritmias ventriculares quando são dados com AA que prolongam o intervalo QT

Aumentam a depressão do miocárdio quando são administrados com: Ansiolíticos, Bloqueadores dos canais de cálcio, Digoxina, outros antiarrítmicos.

Aumentam o risco de arritmias ventriculares quando são dados com AA que prolongam o intervalo QT: Amiodarona, Disopiramido, Eritromicina, Antidepressores tricíclicos.

Adenosina
Aumentam o efeito da adenosina com maior toxicidade: Dipiridamol, Nicotina.

Amiodarona
Aumento do risco de arritmias ventriculares em uso concomitante com:
Amilsupride, Antidepressores tricíclicos, Atazanavir, Atomexetina, Cloroquina, Disopiramido, Droperidol, Eritromicina, Fosamprenavir, Haloperidol, Ivabradina, Levofloxacina, Lítio, Mefloquina, Mizolastina, Moxifloxacina, Nelfinavir, Pimozide, Quinino, Ritonavir, Saquinavir, Sotalol, Sulfametoxazol, Sulpiride, Trimetoprim, Zuclopentixol.

Aumento do efeito aanticoagulante por aumento da concentração plasmática de: Dabigatrano (reduzir a dose do anticoagulante).

Maior risco de bradicardia com: Diltiazem, Verapamil.

Maior risco de toxicidade se surgir hipocaliemia com: Acetazolamida, Diuréticos da ansa, Tiazídicos e relacionados.

Maior risco de miopatia com: Sinvastatina. O potencial de interações persiste durante várias semanas ou mesmo meses após o tratamento ter sido suspenso, devido à semivida longa do fármaco.

Aumento da toxicidade cardíaca com: Acetazolamida, Disopiramido, Azitromicina, Claritromicina, Eritromicina, Ritonavir.

Maior risco de arritmia ventricular se associado a: Amiodarona, Amilsupride, Antidepressores tricíclicos, Cetoconazol, Diuréticos da ansa e tiazídicos (por hipocaliemia), Droperidol, Haloperidol, Ivabradina, Pimozide, Clozapina, Indinavir,  Lopinavir, Saquinavir, Sildenafil, Sotalol, Vardenafil, Ritonavir, Mizolastina Zuclopentixol.

Aumento do efeito hipoglicémico de:
Gliclazida, Insulina, Metformina, Mizolastina, Moxifloxacina.

Reduzem o efeito anticoagulante de: Varfarina

Evitar por recomendação do produtor: Itraconazol, Tadalafil, Vardenafil

Flecainida: Aumenta a toxicidade cardíaca por hipocaliemia em associação com: Acetazolamida, diuréticos da ansa.

Maior risco de depressão do miocárdio com bradicardia em associação com: Bloqueadores adrenérgicos beta, Verapamil.

Aumento da concentração plasmática de flecainida por: Amiodarona (reduzir a dose de flecainida), Fluoxetina, Quinino e Cimetidina (inibe o metabolismo da flecainida.

Lidocaína:
Ação antagonizada por hipocaliemia em associação com: Acetazolamida, Diuréticos da ansa, Tiazídicos e relacionados.
Aumento da concentração plasmática de lidocaína com maior risco de toxicidade: Cimetidina.
Bloqueio neuromuscular potenciado com o Suxametónio.

Propafenona:
Aumenta a concentração plasmática de: Digoxina, Paroxetina (maior toxicidade), maior risco de arritmia ventricular com os antidepressores tricíclicos e Mizolastina

Os AA aumentam o efeito anticoagulante dos: Derivados coumarínicos e o efeito da Digoxina.

Diminuem a concentração plasmática de: Propafenona, Propranolol, Rifampicina.

Anticoagulantes orais  Intensamente ligados às proteínas plasmáticas.
O metabolismo pode ser induzido.
Suscetível à inibição do metabolismo pelo CYP2C9
A resposta anticoagulante pode ser alterada por fármacos que afetam a síntese ou o catabolismo de fatores da coagulação.
Acenocumarol: V. Varfarina

Dabigatrano:
Aumentam o risco de hemorragia por exposição aumentada ao dabigatrano: Amiodarona, Cetaconazol, Itraconanazol, Miconazol, Metronidazol, Ciclosporina, Sulfimpirazona, Ticagrelor, Tracolímus, devendo reduzir-se a dosagem do anticoagulante. A Amiodarona interfere ainda com o inibidor da gp-P para o Dabigatrano.

Diminuem a concentração plasmática de dabigatrano: Rifampicina, Hipericão, Carbamazepina, Fenitoína.

Rivaroxabano:
Podem reduzir o metabolismo do rivaroxabano e aumentar o risco de hemorragia: baixa dose de heparina, Cetorolac, Diclofenac, Atazanavir, Indinavir, Ritonavir, Cetoconazol, Claritromicina, Eritromicina, devendo evitar-se o uso concomitante.
Macrólidos: inibem a CYP3A4 com aumento do risco do Rivaroxabano, em particular no doente idoso

Varfarina:
Aumentam o efeito do anticoagulante com risco de hemorragia:
Amiodarona; alguns agentes aumentam a resposta hipoprotrombinémica (diclofenac, ibuprofeno, cetorolac); Cimetidina, Clopidogrel,
Inibidores da HMGCo A redutase: inibem o metabolismo da varfarina ao nível da para-hidroxilação e por deslocação nas proteínas plasmáticas (Lovastatina, Sinvastatina)
Paracetamol: impede a síntese de fatores da coagulação
Propafenona: reduz provavelmente o metabolismo do anticoagulante;

Quinidina: hipoprotrombinemia aditiva
Salicilatos: inibição plaquetar com o ácido acetilsalicílico, mas não com outros salicilatos; em doses elevadas possuem efeito hipo protrombinémico
Sulfametoxazol + Trimetoprim: inibem o metabolismo da varfarina e deslocam-na da proteína de transporte
Sulfamidas: reduzem o metabolismo da varfarina
Tiroxina: acelera o catabolismo dos fatores da coagulação.

V. também: Álcool, Alopurinol

Antidepressores (tricíclicos e heterocíclicos)

Inibição da recaptação de aminas nos neurónios adrenérgicos pós-ganglionares.
Efeitos antimuscarínicos aditivos com fármacos antimuscarínicos. Indução do metabolismo.
Suscetíveis à inibição do metabolismo pelo CYP2D6 e outras enzimas CYP450.

Reduz o metabolismo dos antidepressores: Cimetidina, Quinidina.

Aumenta o metabolismo dos antidepressores: Fenobarbital, Rifampicina

Clonidina: efeito anti-hipertensor da clonidina diminuído

Inibidores da monoaminoxidase: alguns casos de excitação, hiperpirexia, mania e convulsões, em especial com a clomipramina e a imipramina

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS): a fluoxetina e paroxetina inibem o CYP 2D6 e reduzem o metabolismo de antidepressores metabolizados por esta enzima. O citalopram, sertralina e fluvoxamina são inibidores fracos do CYP3A4 e podem inibir o metabolismo de antidepressores metabolizados por estas enzimas.

Simpaticomiméticos: aumentam a resposta pressor à adrenalina, noradrenalina e fenilefrina. Os antidepressores tricíclicos só devem ser iniciados 2 semanas após suspensão dos IMAOs e também os IMAOs só devem ser introduzidos pelo menos 1-2 semanas depois de suspender os antidepressores tricíclicos. A moclobemida necessita de pelo menos 1 semana.

Os ansiolíticos e os hipnóticos aumentam o efeito sedativo em associação com antidepressores tricíclicos e relacionados.

Aumento do efeito anti-hipertensor quando os antidepressores tricíclicos e relacionados se associam com a hidralazina e o nitroprussiato de sódio.

Antidiabéticos Orais (AD)  Incluem sulfonilureias, biguanidas e outros antidiabéticos (acarbose, nateglinida e repaglinida, pioglitazona e alogliptina, linagliptina, saxagliptina, sitagliptina e vildagliptina).  Inibidores da ECA: aumentam o efeito hipoglicemizante da insulina, metformina e sulfonilureias.Potenciam o efeito hipoglicemizante: o álcool (com a metformina aumenta o risco de acidose láctica), os esteroides anabolizantes, os analgésicos e AINEs, o disopiramido, antibacterianos (neomicina, claritromicina, tetraciclinas).

Anticoagulantes: o exenatide potencia o efeito anticoagulante da varfarina; antidepressores (IMAOS); as fenotiazinas antagonizam os efeitos. Os bloqueadores adrenérgicos beta mascaram sinais de hipoglicemia com antidiabéticos; o efeito hipoglicemizante da insulina é potenciado pelos bloqueadores beta; a cimetidina aumenta o efeito hipoglicemizante e a ciclosporina aumenta o efeito da repaglinida.

Anti-epiléticos: concentração plasmática aumentada de fenitoína por tolbutamida; a de metformina é aumentada pelo topiramato.

Os antifúngicos, fluconazol e miconazol, itraconazol, posaconazol e voriconazol aumentam as concentrações plasmáticas de gliclazida e glipizide. 
Antifúngicos (com grupo Azol)

Inibição do CYP3A4 (itraconazol = cetoconazol > fluconazol, voriconazol).
Inibição do CYP269 (fluconazol, voriconazol).
Suscetibilidade a indutores enzimáticos (itraconazol, cetoconazol, voriconazol).
Absorção gastrintestinal dependente do pH (itraconazol, cetoconazol).
Inibição da glicoproteína-P (itraconazol, cetoconazol).

Antagonistas dos recetores H2: reduzem a absorção do cetoconazol e itraconazol

Bloqueadores dos canais de cálcio: metabolismo diminuído

Carbamazepina: redução do metabolismo da carbamazepina

Ciclosporina: redução do metabolismo

Cisaprida: redução do metabolismo; possibilidade de arritmias ventriculares

Digoxina: aumento das concentrações plasmáticas de digoxina com cetoconazol e itraconazol

Fenitoína: redução do metabolismo com o fluconazol

Fenobarbital: aumento do metabolismo do cetoconazol, itraconazol, voriconazol

Inibidores da bomba de protões: reduzem a absorção de cetoconazol e itraconazol

Inibidores da HMGCoA redutase: redução do metabolismo da lovastatina, sinvastatina e menos da atorvastatina

Inibidores dos canais de cálcio: redução do metabolismo dos inibidores

Pimozida: metabolismo reduzido

Rifampicina: aumenta o metabolismo do cetoconazol e itraconazol

V. também: Antiácidos e Anticoagulantes orais.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

A inibição da prostaglandina pode conduzir à redução da excreção renal de sódio, diminuição da resistência aos estímulos hipertensivos e redução da excreção renal de lítio.
A maior parte dos AINEs inibe a função plaquetar, pode aumentar a probabilidade de hemorragia produzida por outros fármacos que impedem a hemostase.
A maior parte dos AINEs liga-se às proteínas plasmáticas.

Antagonistas dos recetores da Angiotensina II (Ara II): diminuição da resposta anti-hipertensiva

Ciclosporina: potenciação da ação e da toxicidade

Furosemida: diminuição da resposta diurética natriurética e anti-hipertensora à furosemida

Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs): diminuição da resposta anti-hipertensiva

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS): aumento do risco de hemorragia por inibição plaquetar

Metotrexato: possível aumento da toxicidade do metotrexato (em especial com doses anticancerosas)

Quinolonas: aumento da toxicidade

V. também: Anticoagulantes orais.

Arteméter (c/ lumefantrina)   De acordo com o produtor, evitar o uso concomitante com: Macrólidos, Quinolonas, Antidepressores, Antifúngicos (imidazóis), Antimaláricos (com aumento do risco de arritmias ventriculares), Antipsicóticos e Antivíricos, Bloqueadores adrenérgicos beta (Metoprolol e Sotalol), Cimetidina e sumo de toranja.
Artenimol (c/ piperaquina) Substratos do CYP3A4 Com os antiarrítmicos, por efeito aditivo, pode prolongar o intervalo QTc com possível risco de arritmias ventriculares. Igual situação pode ocorrer com metadona, amiodarona e disopiromido. Também os imidazois, misolastina, haloperidol, fenotiazinas, sotalol, domperidona e vinblastina podem produzir arritmias ventriculares.

É provável que os indutores da CYP3A4 (rifampicina, carbamazepina, fenitoína, fenobarbital e hipericão) levem a uma redução da concentração plasmática de artenimol+piperaquina.


Atorvastatina  Lovastatina, sinvastatina e, em menor extensão, atorvastatina, são suscetíveis aos inibidores do CYP3A4.
Risco aumentado de miopatia aditiva com outros fármacos que podem causar miopatia. 
V. Inibidores da HMG-CoAredutase (Estatinas)
Avanafil É um substrato da CYP3A4. Os inibidores desta enzima aumentam a exposição ao fármaco. Fármacos que aumentam o efeito anti-hipertensor: nitratos, vasodilatadores, bloqueadores adrenérgicos alfa, álcool.

Os inibidores da CYP 3A4 como cetoconazol, itraconazol, claritromicina, eritromocina, nefazodona, saquinavir, nelfinavir, indinavir, atazanavir e telitromicina prolongam o efeito do fármaco.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas

Barbitúricos (Fenobarbital)

Indução das enzimas microssomais hepáticas metabolizadoras de fármacos.
Efeito depressor no SNC aditivo com outros depressores do sistema nervoso central.

Fármacos cujo metabolismo é aumentado:
Anticoagulantes orais: inibição do efeito anticoagulante
Bloqueadores adrenérgicos beta: redução do efeito
Bloqueadores dos canais de cálcio: redução do efeito
Depressores do SNC: efeito aditivo na depressão do SNC
Ciclosporina: redução dos níveis séricos e do efeito
Corticosteroides: redução do efeito só manifestado 10-12 dias após o início da associação
Doxiciclina: aumento do metabolismo só após vários dias
Estrogéneos: aumento do metabolismo com redução do efeito
Fenotiazinas: aumento do metabolismo
Inibidores da protease: aumento do metabolismo de vários
Metadona: aumento do metabolismo da metadona
Quinidina: aumento do metabolismo Sirolímus: redução do efeito 
Tacrolímus: redução do efeito
Teofilina: diminuição dos níveis plasmáticos e da atividade ao fim de 10-12 dias

Fármacos que reduzem o metabolismo dos barbitúricos:
Ácido valpróico: diminui o metabolismo do fenobarbital

Antidepressores tricíclicos e similares: baixam o limiar epileptogénico e favorecem o desencadear de crises em doentes controlados com o fenobarbital.

V. também: Anticoagulantes orais, Antidepressores tricíclicos

Benfotiamina Inibição enzimática O 5-fluorouracilo, inibe competitivamente a
fosforilação da tiamina em pirofosfato de tiamina, elevando a concentração plasmática e a toxicidade.
Bilastina Redução da absorção com os alimentos, sumo de toranja e outros frutos devido a inibição do transportador OATPIA2 no qual o fármaco atua como substrato. O cetoconazol, eritromicina e ciclosporina aumentam a concentração plasmática da bilastina por interação com os transportadores.
Bloqueadores adrenérgicos beta

Os bloqueadores adrenérgicos beta (em especial os não seletivos como o propranolol) alteram a resposta aos simpaticomiméticos com atividade agonista-beta (ex.: adrenalina).
Os bloqueadores que sofrem um metabolismo de primeira passagem extenso, podem ser afetados por fármacos capazes de alterar este processo.
Estes bloqueadores podem reduzir o fluxo sanguíneo hepático.

Fármacos que podem aumentar o efeito de bloqueio beta:
Cimetidina: reduz o metabolismo dos bloqueadores que são metabolizados principalmente pelo fígado, como o propranolol. Tem menor efeito sobre os que são depurados pelo rim, como o atenolol, nadolol
Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS): a fluoxetina e a paroxetina inibem o CYP2D6 e aumentam as concentrações de timolol, propanolol, metoprolol e carvedilol

Fármacos que podem diminuir o efeito de bloqueio beta:
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): a indometacina reduz a resposta anti-hipertensora; outros inibidores das prostaglandinas provavelmente também têm o mesmo efeito
Indutores enzimáticos: barbitúricos, fenitoína e rifampicina podem aumentar o metabolismo dos bloqueadores beta; outros indutores enzimáticos podem produzir efeitos semelhantes.

Efeitos dos bloqueadores beta noutros fármacos:
Clonidina: reação hipertensiva se a clonidina é retirada quando o doente está a tomar propranolol
Insulina: há inibição da recuperação da glucose da hipoglicemia; inibição dos sintomas de hipoglicemia (exceto suores); pressão sanguínea aumentada durante a hipoglicemia
Simpaticomiméticos: aumento da resposta pressora à adrenalina (e possivelmente a outros simpaticomiméticos); este efeito é mais provável ocorrer com bloqueadores beta não seletivos.

V. também: Teofilina

Bloqueadores dos canais de cálcio

Verapamilo, diltiazem e talvez a nicardipina (mas não a nifedipina) inibem as enzimas hepáticas metabolizadoras de fármacos.
O metabolismo do diltiazem, nifedipina, verapamilo e provavelmente outros bloqueadores da entrada de cálcio estão sujeitos a indução e inibição.

Carbamazepina: o metabolismo da carbamazepina é diminuído pelo diltiazem e verapamilo; possível aumento no metabolismo dos bloqueadores dos canais de cálcio
Ciclosporina: redução do metabolismo da ciclosprina com diltiazem, nicardipina, verapamilo
Cimetidina: diminuição do metabolismo dos bloqueadores dos canais de cálcio
Fenitoína: aumento do metabolismo dos bloqueadores dos canais de cálcio
Rifampicina: aumento do metabolismo dos bloqueadores dos canais de cálcio
Sirolímus: redução do metabolismo da sirolímus com diltiazem, nicardipina, verapamilo
Tacrolímus: redução do metabolismo da tacrolímus com diltiazem, nicardipina, verapamilo

V. também: Antifúngicos (com grupo Azol), Barbitúricos, Teofilina, Digoxina.

Brimonidina Potencia os efeitos depressores do SNC O produtor recomenda evitar o uso concomitante com IMAOs e antidepressores tricíclicos
Efeito aditivo ou potenciador com depressores do SNC
Aparecimento de sonolência com álcool, barbitúricos, opiáceos, sedativos ou anestésicos.
Brometo de glicopirrónio Efeitos adversos aumentados por outros fármacos com atividade antimuscarínica As interações não se aplicam a antimuscarínicos usados por inalação.
Bromfenac É metabolizado parcialmente pelo cit. CYP3A4; é um inibidor do CYP3A4 e da Gp-P Usa-se para profilaxia da inflamação que segue a cirurgia da catarata.

V. ainda Antifúngicos (com grupo Azol)

Bupropiona Metabolismo induzido pelos antiepiléticos
A bupropiona inibe o metabolismo do tamoxifeno até metabolito ativo
Aumenta a concentração plasmática do citalopram e dos anti depressores tricíclicos com risco de convulsões.
A concentração plasmática do fármaco pode ser reduzida pela carbamazepina e fenitoína.
O metabolismo da bupropiona pode ser inibido pelo valproato.
O efavirenz e o ritanavir induzem o metabolismo da bupropiona.
A atomoxetina aumenta o risco de convulsões quando associada à bupropiona.
Com a amantadina e a levodopa aumenta o risco de efeitos adversos destes fármacos.
Inibe o metabolismo do tamoxifeno até à formação do metabolito ativo deste.
Possível risco de toxicidade do SNC quando associada ao metiltionimio (vigiar o doente até 4 horas após administração).
Evitar o uso concomitante com IMAOs.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Carbamazepina

Indução das enzimas microssomais hepáticas metabolizadoras de fármacos.
Suscetível à inibição do metabolismo, principalmente pelo CYP3A4.

Fármacos que reduzem o metabolismo da carbamazepina:
Cimetidina
Claritromicina
Danazol
Eritromicina
Fluoxetina e fluvoxamina e outros ISRSs
Isoniazida
Nefazodona
Propoxifeno

Fármacos com metabolismo aumentado pela carbamazepina: Corticosteroides
Ciclosporina
Doxiciclina
Estrogéneos
Haloperidol
Hipericão
Rifampicina
Sirolímus
Tacrolímus
Teofilina

V. também: Anticoagulantes orais; Antidepressores tricíclicos; Antifúngicos (com grupo Azol); Bloqueadores dos canais de cálcio.

Carvão ativado   Não são conhecidos quaisquer tipos de interações.
Não deve ser usado nas intoxicações por destilados do petróleo, substâncias corrosivas álcoois, malatião, cianetos, sais de metais incluindo o ferro e sais de lítio.
Ciclosporina Metabolismo induzível.
Suscetível à inibição do metabolismo pelo CYP3A4 (o tacrolímus e o sirolímus parecem ter interações semelhantes).
Fármacos com possível nefroxicidade aditiva:
Aminoglicosídeos
Anfotericina B

Fármacos que aumentam o metabolismo da ciclosporina:
Amprenavir
Androgénios
Barbitúricos
Carbamazepina
Fenitoína
Hipericão
Rifampicina

Fármacos que reduzem o metabolismo da ciclosporina:
Claritromicina
Eritromicina
Nefazodona
Pimozida
Ritonavir

Fármacos que, em associação com a ciclosporina, induzem miopatia e rabdomiólise:
Lovastatina
Sinvastatina

V. também: Antifúngicos (com grupo Azol); Barbitúricos; Bloqueadores dos canais de cálcio.

Certolizumab pegol Associado a infeções graves e neutropenia quando administrado concomitantemente com outros produtos biológicos. Não deve ser administrado com:
Anacinra
Abatacept.

Cimetidina

Inibe as enzimas microssomais hepáticas metabolizadoras de fármacos (ranitidina, famotidina e nizatidina não são inibidoras).
Pode inibir a secreção tubular renal de bases fracas (metformina, por exemplo).

Fármacos cuja absorção é reduzida:
Atazanavir, Indinavir: requerem ácido para a sua absorção; é expectável que outros bloqueadores dos recetores H2 e inibidores da bomba de protões tenham o mesmo efeito
Cetoconazol, Itraconazol, Metronidazol: requerem ácido para a sua absorção; é expectável que outros bloqueadores dos recetores H2 e inibidores das bombas de protões tenham o mesmo efeito
Eritromicina
Levotiroxina
Lapatinib

Fármacos cujo metabolismo é inibido:
Benzodiazepinas: alprazolam, clordiazepóxido, diazepam, halazepam, prazepam e clorazepato têm o metabolismo diminuído, mas não o oxazepam, lorazepam ou temazepam
Carmustina, Lomustina: aumento da supressão medular
Fenitoína: aumento da fenitoína no soro
Isradipina, Labetalol, Metoprolol, Propranolol

Lidocaína: aumento da lidocaína no soro
Quinidina: aumento dos níveis de quinidina no soro
Teofilina: aumento da teofilina no plasma
Varfarina: aumento do efeito anticoagulante

V. também: Anticoagulantes orais; Antidepressores tricíclicos; Bloqueadores adrenérgicos beta; Bloqueadores dos canais de cálcio; carbamazepina.

Cinarizina
Anti-histamínico sedativo que potencia os efeitos depressores no SNC produzidos pelo álcool, e antidepressores tricíclicos Álcool, depressores do SNC, ou antidepressivos tricíclicos potenciam o efeito da cinarizina.

A associação com procarbazina e outros anti-histamínicos H1 aumentam os efeitos da cinarizina

Interferência com diagnósticos:
Devido ao seu efeito anti-histamínico, pode mascarar qualquer reação positiva à reatividade dérmica, se usado até 4 dias antes do teste cutâneo.

Cisaprida Suscetível à inibição do metabolismo por inibidores do CYP3A4.
Concentrações séricas elevadas de cisaprida podem ser causa de arritmias ventriculares
Fármacos que reduzem o metabolismo da cisaprida, com possível arritmia ventricular:
Cetoconazol
Ciclosporina
Claritromicina
Eritromicina
Fluconazol
Itraconazol
Nefazodona
Ritonavir
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): a fluvoxamina inibe o CYP3A4 e, provavelmente, reduz o metabolismo de cisaprida; possível arritmia ventricular
Clopidogrel
Por potenciação do efeito anticoagulante

Redução do efeito antiplaquetar por diminuição da concentração plasmática na sequência de indução enzimática


Aumento do risco de hemorragia quando associado com:
Ácido acetisalicílico e AINEs
Dipiridamol
Fenindiona
Heparinas
Iloprost
Varfarina (evitar uso concomitante)

Efeito antiplaquetar reduzido por:
Carbamazepina, Cetoconazol, Cloranfenicol, Cimetidina, Ciprofloxacina, Eritromicina, Esomeprazol, Fluconazol, Fluoxetina, Itraconazol, Lansoprazol, Moclobemida, Omeprazol, Oxcarbazepina, Pantoprazol, Rabeprazol

Cloranfenicol

Inibe as enzimas hepáticas metabolizadoras de fármacos

Fenitoína: metabolismo diminuído.
Sulfonilureias hipoglicemiantes: diminuição do metabolismo das sulfonilureias

V. também: Anticoagulantes orais

Colecalciferol As interações ocorrem por elevação da concentração de cálcio que aumenta a eficácia mas também a toxicidade dos digitálicos; a redução da excreção urinária pelos diuréticos tiazídicos aumenta o risco de hipercalcemia A administração oral de vitamina D3 pode aumentar a eficácia e a toxicidade dos digitálicos. É necessária supervisão regular com avaliação do ECG, dos níveis séricos de cálcio e, eventualmente, dos níveis plasmáticos de digoxina e digitoxina.

Os diuréticos tiazídicos reduzem a excreção urinária de cálcio, com risco de hipercalcemia. É necessária monitorização regular dos níveis séricos de cálcio.
Os barbitúricos e a fenitoína reduzem as concentrações plasmáticas de 25(OH)D e o metabolismo dos metabolitos inativos pode estar aumentado.

Corticosteroides: o efeito do colecalciferol pode estar antagonizado e a absorção do cálcio reduzida.

Metabolitos ou análogos da vitamina D (por exemplo, o calcitriol): só em casos excecionais se devem associar ao colecalciferol, sendo necessária a monitorização da calcemia.

Rifampicina e isoniazida: podem aumentar o metabolismo da vitamina D3 e reduzir a sua eficácia.

Colestiramina   Interfere com a absorção normal das gorduras, pode impedir a absorção das vitaminas A, D e K), e reduzir a absorção de medicamentos tais como, fenilbutazona, varfarina, clorotiazida, tetraciclina, penicilina G, fenobarbital, preparações da tiroide e tiroxina e digitálicos.
Contracetivos orais combinados   Por indução da atividade enzimática no fígado Atividade consideravelmente reduzida quando associada a fármacos indutores enzimáticos: carbamazepina, eslicarbazepina, oxcarbazepina, fenitoina, fenobarbital, nevirapina, primidina, ritonavir, hipericão, topiramato, rifabutina e rifampicina.
Corifolitropina alfa   A corifolitropina alfa não é um substrato das enzimas do citocromo P450, não se prevendo interações com outros fármacos.
Não foram realizados estudos de interações.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Darunavir Por ser extensamente metabolizado no fígado, compete com outros substratos metabolizados pelas mesmas enzimas hepáticas. Contraindicada a coadministração com quetiapina e sertindol, por aumentar as suas concentrações plasmáticas.

A administração concomitante com antagonistas do cálcio e com os novos anticoagulantes orais pode originar um aumento das suas concentrações plasmáticas.

A coadministração com voriconazol determina uma diminuição significativa da AUC deste antifúngico e com o itraconazol origina um aumento das concentrações plasmáticas de ambos os fármacos.

Das principais interações com os outros antirretrovirais refere-se: a administração concomitante de darunavir com lopinavir/ritonavir ou com saquinavir determina uma redução significativa da AUC do darunavir; a associação com efavirenz altera as concentrações plasmáticas de ambos os fármacos e a coadministração com maraviroc está na origem de um aumento de cerca de 300% da AUC do maraviroc.
Desferasirox   Necessidade de reduzir a dosagem se a creatinina sérica aumentar A proclorperazina, em associação com o fármaco pode afetar, temporariamente, a vigília.
Em doentes com afeção crónica grave por depósito de ferro, submetidos a tratamento combinado com Desferasirox e doses elevadas de Vitamina C (superiores a 500 mg por dia), têm sido referidos casos de insuficiência cardíaca, situação que se mostrou reversível com a suspensão da Vitamina C.
Os resultados da imagiologia de Gálio-67 podem sofrer alteração devido à rápida excreção urinária do Gálio-67 ligado ao fármaco. Recomenda-se a interrupção do tratamento com desferasirox, 48 horas antes da cintigrafia.
Dienogest O aumento da depuração das hormonas sexuais pode provocar hemorragias de privação e insucesso contracetivo
Os indutores enzimáticos aumentam a depuração provocando ineficácia dos contracetivos orais
Os indutores enzimáticos como: hidantoínas, barbitúricos, primidona, carbamazepina, rifampicina e também rifabutina, efavirenz, nevirapina, oxcarbazepina, topiramato, felbamato, ritonavir, nelfinavir, griseofulvina, e hipericão tornam ineficaz a contraceção oral.

O insucesso contracetivo foi ainda referido para a ampicilina e as tetraciclinas, por mecanismo não identificado. A rifampicina tem o mesmo efeito, que se prolonga até 4 semanas após a sua suspensão.

Os inibidores da enzima CYP3A4 como antifúngicos azólicos, cimetidina, verapamil, macrólidos, diltiazem, anti depressivos e sumo de toranja podem aumentar os níveis plasmáticos de dienogest.
Digoxina É suscetível à alteração da absorção gastrintestinal. A toxicidade digitálica pode ser aumentada por alteração do equilíbrio eletrolítico (ex: hipocaliemia). O metabolismo da digoxina é indutível: a concentração plasmática pode ser reduzida pela rifampicina. A excreção renal e extrarrenal da digoxina podem sofrer inibição.

Podem diminuir a absorção:
Antiácidos, Ciclofosfamida, Citarabina, Doxorrubicina

Podem aumentar o efeito: Amiodarona, Claritromicina, Colchicina e depletores de potássio (aumentam a probabilidade de toxicidade digitálica)

Espironolactona: reduz a excreção renal.
eleva os níveis plasmáticos da digoxina

Quinidina: eleva os níveis plasmáticos e desloca a digoxina dos locais de ligação nos tecidos

Eritromicina: aumenta os níveis plasmáticos da digoxina
Verapamilo: eleva os níveis plasmáticos de digoxina e tem efeitos aditivos na condução A-V 

Pode diminuir o efeito digitálico: Rifampicina: reduz a concentração plasmática da digoxina.

Diltiazem É um inibidor da CYP 3A4 e da glicoproteína-P

O diltiazem é metabolizado pela enzima CYP3A4. Está documentado um aumento
moderado (menor que duas vezes) da concentração de diltiazem no plasma nos casos de coadministração com um inibidor mais potente da CYP3A4.

 


A combinação com:

- Dantroleno é potencialmente perigosa por possível fibrilação ventricular.

- Nifedipina pode conduzir a um aumento das concentrações plasmáticas deste fármaco, devido à inibição do metabolismo.

- Ergotamina e diidroergotamina podem aumentar as concentrações plasmáticas e levar ao ergotismo.

- Cisaprida, Sertindol, Pimozida - aumento do risco de arritmia ventricular, nomeadamente torsades de pointes.

- Ivabradina - pode aumentar 2 a 3 vezes a AUC e o risco de bradicardia. Não se recomenda a utilização concomitante com o diltiazem.

Combinações que requerem precaução:

- Antagonistas alfa, pelos efeitos anti-hipertensores aumentados. Esta combinação apenas deve ser considerada se houver monitorização rigorosa da tensão arterial.

- Bloqueadores beta, por possibilidade de surgir bradicardia e paragem sinusal, perturbações da condução sino-auricular, auriculoventricular e insuficiência cardíaca (efeito sinérgico). Esta combinação apenas deve ser utilizada sob rigorosa monitorização clínica e do ECG.

- Amiodarona, digoxina aumento do risco de bradicardia. É necessária precaução quando se usam estes medicamentos na população idosa ou com doses elevadas.

- Agentes antiarrítmicos, por efeito aditivo, não se recomenda o seu uso em simultâneo; combinação apenas a ser realizada sob rigorosa monitorização clínica e de ECG.

- Nitratos e derivados, por aumento dos efeitos hipotensores e ação vasodilatadora aditiva.

-Imunosupressores (ciclosporina, tacrolimus, sirolimus, everolímus): aumento dos níveis circulantes de imunossupressores pelo que se recomenda redução da dose, a função renal monitorizada e que os níveis circulantes sejam testados, com ajustamento da dose durante o tratamento combinado e após a sua interrupção.

- Carbamazepina: aumento dos níveis circulantes do antiepilético pelo que se recomenda titulação das concentrações plasmáticas de carbamazepina e, se necessário, que a dose seja ajustada.

- Teofilina: aumento dos níveis circulantes.

- Agentes anti-H2 (cimetidina e ranitidina): aumentam as concentrações plasmáticas de diltiazem, o que implica a monitorização cuidadosa quando se inicia a terapêutica com diltiazem ou se interrompe o tratamento com agentes anti-H2, com possível ajuste da dose diária de diltiazem.

- Rifampicina: risco de diminuição dos níveis plasmáticos de diltiazem após início da terapêutica com rifampicina. Monitorização cuidadosa quando se inicia ou interrompe o tratamento com rifampicina.

- Lítio: risco de aumento da neurotoxicidade

- Estatinas: o diltiazem aumenta significativamente a AUC de algumas estatinas. O risco de miopatia e rabdomiólise está aumentado pela administração concomitante de diltiazem com atorvastatina, fluvastatina e sinvastatina devendo fazer-se o ajuste de dosagem.
Quando possível, é recomendado o uso de uma estatina não metabolizada pela enzima CYP3A4 (por exemplo, pravastatina) em simultâneo com o diltiazem, caso contrário, deve fazer-se um acompanhamento atento dos potenciais sinais e sintomas de toxicidade da estatina.

- Benzodiazepinas (midazolam, triazolam): o diltiazem aumenta significativamente as concentrações plasmáticas de midazolam e triazolam e prolonga a sua semivida. Deve ser tomado especial cuidado ao prescrever benzodiazepinas de ação curta metabolizadas pela via da CYP3A4 a doentes que estão a tomar diltiazem.

Dimenidrato    Anti-histamínico H1 de efeito sedativo O dimenidrato potencia os efeitos depressores do sistema nervoso central, como o álcool e os barbitúricos. Se este fármaco for utilizado em simultâneo com outros depressores do SNC é necessária precaução na sua utilização para evitar a sobredosagem.

Com os fármacos anticolinérgicos e outros com igual atividade, como os antidepressores tricíclicos, há potenciação de efeitos.

Quando administrado com aminoglicósidos ou outros fármacos ototóxicos pode mascarar os sintomas de ototoxicidade.

Dipiridamol
Efeitos de potenciação quando associado a outros fármacos com ações sinérgicas

Antiácidos - absorção reduzida do dipiridamol;

Antiarrítmicos - o dipridamol potencia e prolonga o efeito da adenosina, com risco de toxicidade, pelo que se recomenda reduzir a dose de adenosina e interromper se surgir assistolia ou bradicardia grave;

Anticoagulante: a ação antiplaquetar do dipiridamol aumenta o efeito anticoagulante das cumarinas, fenindiona e heparinas;

O clopidogrel aumenta o risco de hemorragia quando associado com o dipiridamol;

O dipiridamol reduz, possivelmente, os efeitos citotóxicos da fludarabina.

Dissulfiram

Inibe as enzimas microssomais hepáticas metabolizadoras de fármacos. Inibe a aldeído-desidrogenase.

Benzodiazepinas: o metabolismo do clordiazepóxido e diazepam estão diminuídos, mas não o do oxazepam e lorazepam
Metronidazol: foram referidas confusão e psicoses nos doentes que tomam dissulfiram e metronidazol; mecanismo desconhecido
Fenitoína: inibição do metabolismo e aumento dos níveis plasmáticos

V. também: Álcool; Anticoagulantes orais.

Diuréticos poupadores de potássio

Efeitos adversos com outros agentes que aumentam a concentração sérica de potássio.
Podem aumentar a excreção renal de outras substâncias, além do potássio (digoxina, iões hidrogénio).

Efeito hipercaliémico aditivo com: IECA,
Ara II, Eplerenona, suplementos de potássio e em presença de insuficiência renal.

V. também: Digoxina; AINEs.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Enzalutamida
Sofre indução e inibição enzimática quando associada a fármacos diferentes

Evitar o uso concomitante com rifampicina.

A enzalutamida reduz possivelmente a concentração plasmática de cumarinas.

Os fármacos que regulam a concentração de lípidos, como o gemfibrozil, aumentam a concentração da enzalutamida.

Erdosteína   Não se conhecem interações, com outros medicamentos, podendo ser associada a antibióticos e broncodilatadores.
Ertapenem Pode reduzir os níveis plasmáticos de ácido valpróico/valproato de sódio Ácido valpróico/valproato de sódio: redução dos níveis plasmáticos com controlo inadequado das convulsões.
Esomeprazol Possíveis mecanismos de interação podem ocorrer via inibição do CYP2C19 Potencia o efeito anticoagulante das cumarinas e os efeitos da fenitoína.
Evitar o uso concomitante com o posaconazol em suspensão, por redução da sua concentração plasmática.
A concentração do esomeprazol é possivelmente aumentada pelo voriconazol.
Com os antivíricos (atazanavir, rilpivirina e saquinavir) evitar a associação ou ajustar a dosagem, por redução plasmática do esomeprazol.
Estradiol + Nomegestrol    Ver as anotações gerais apresentadas no texto introdutório em 8.5.1.2. anticoncecionais e 8.5.1.3. progestagéneos.
Estrogénios

Metabolismo induzível.
A circulação entero-hepática do estrogénio pode ser interrompida por alteração da flora intestinal (p.ex: por antibióticos).

Ampicilina: interrupção da circulação entero-hepática do estrogénio; possível redução da eficácia dos contracetivos orais; alguns outros antibióticos tomados oralmente podem ter efeito semelhante
Corticosteroides: a redução do metabolismo dos corticosteroides pode aumentar o efeito destes fármacos
Griseofulvina: possível inibição da eficácia do contracetivo oral; mecanismo desconhecido

Fármacos que aumentam o metabolismo dos estrogénios com possível redução da eficácia dos contracetivos orais:
Fenitoína
Hipericão
Primidona
Rifabutina
Rifampicina

V. também:  Carbamazepina.


Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Fenitoína

Induz o metabolismo microssomal hepático de fármacos. Suscetível à inibição do metabolismo pelo CYP2C9 e, em menor extensão, pelo CYP2C19.

Fármacos cujo metabolismo é estimulado pela fenitoína com redução dos níveis séricos:
Corticosteroides
Doxicilina
Metadona com sintomas de supressão. Quinidina
Teofilina
Verapamilo

Ver também: Bloqueadores dos canais de cálcio; Ciclosporina; Estrogénios.

Fármacos que inibem o metabolismo da fenitoína, com aumento do nível sérico da fenitoína e possível redução dos níveis séricos de:
Amiodarona
Capecitabina
Cloranfenicol
Felbamato
Fluouracilo
Fluvoxamina
Isoniazida: problema principalmente com os acetiladores lentos
Metronidazol
Ticlopidina

Fármacos que aumentam o metabolismo da fenitoína:
Carbamazepina: níveis séricos de fenitoína reduzidos
Rifampicina: níveis séricos de fenitoína reduzidos

V.  também: Antifúngicos (com grupo Azol); cimetidina; dissulfiram.

Fenofibrato É fraco inibidor do CYP2C19 e do CYP2A6, e fraco a moderado inibidor do CYP2C9 em concentrações terapêuticas. Em associação com outros fibratos aumenta o risco de efeitos indesejáveis a nível muscular (rabdomiólise) e de antagonismo farmacodinâmico entre as duas moléculas.

Com Inibidores da HMG CoA redutase: risco aumentado de efeitos secundários do tipo rabdomiólise (vigiar com precaução).

Com os anticoagulantes orais: aumento da atividade do anticoagulante oral e do risco de hemorragia (por diminuição da ligação às proteínas plasmáticas). Deve ser efetuado um controlo mais frequente do tempo de protrombina durante o tratamento com o fenofibrato e até 8 dias após a suspensão do mesmo.

Ciclosporina: têm sido relatados alguns casos graves de insuficiência renal reversível durante a administração concomitante. A função renal destes doentes deverá ser,  por esse motivo, continuamente monitorizada e no caso dos parâmetros laboratoriais mostrarem alterações graves, o tratamento com fenofibrato deverá ser interrompido.

Ferro

Liga-se com fármacos no tubo gastrintestinal, reduzindo a absorção

Fármacos cuja absorção é reduzida com o ferro:
Metildopa
Micofenolato
Quinolonas
Tetraciclinas
Tiroxina

V. também: Antiácidos

Furoato de fluticasona Interação com inibidores do CYP3A4
O furoato de fluticasona é rapidamente eliminado por extenso efeito metabólico de primeira passagem mediado pelo CYP3A4.
Com base em dados de outro glucocorticoide (propionato de fluticasona), metabolizado pelo CYP3A4, não se recomenda a administração concomitante com ritonavir devido ao risco de aumento da exposição sistémica do furoato de fluticasona.

Recomenda-se precaução quando se administra com inibidores potentes do CYP3A4, uma vez que não se poderá excluir a possibilidade de um aumento na exposição sistémica.

Os dados de indução e inibição enzimática sugerem não existirem bases teóricas para prever interações metabólicas entre o furoato de P450.


Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Golimumab   Não associar a: abatacept, anacinra, antipsicóticos (clozapina - aumento do risco de agranulocitose).
Vacinas: evitar o uso concomitante com vacinas vivas e não administrar anticorpos monoclonais.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Hidroclorotiazida Por insuficiência renal funcional Quando administrada concomitantemente com álcool, barbitúricos, narcóticos ou antidepressivos, pode ocorrer potenciação da hipotensão ortostática.

Com medicamentos antidiabéticos (orais e insulina) a tiazida influencia a tolerância à glucose, pelo que pode ser necessário um ajuste posológico do medicamento antidiabético. A metformina deve ser usada com precaução devido ao risco de acidose láctica induzida por possível insuficiência renal funcional relacionada com a hidroclorotiazida.

 Hidroquinona   Evitar associação com peróxidos em uso cutâneo.
A utilização concomitante da hidroquinona com peróxidos (como peróxido de hidrogénio ou de benzoílo) pode produzir uma coloração temporária da pele, devido à oxidação da substância ativa. Esta coloração temporária elimina-se com a interrupção de um destes produtos e com a lavagem da zona de aplicação com um sabonete suave.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Indacaterol A inibição dos cit.CYP3A4 e da glicoproteína P (gp-P) aumenta até duas vezes o nível plasmático do indacaterol

Potenciação de efeitos simpaticomiméticos com outros agonistas adrenérgicos beta 2
Potenciação do efeito hipocaliémico quando associado a:
Derivados da metilxantina
Corticosteroides
Diuréticos não poupadores de potássio

Indapamida Ver Diuréticos

Não se recomenda a associação com:

- Lítio, por aumento da litiémia com sinais de sobredosagem e por diminuição da excreção urinária do lítio. Porém, se a utilização dos diuréticos for necessária, deve efetuar-se uma monitorização cuidadosa da litiémia e adaptar a posologia.

Risco aumentado de arritmias ventriculares, particularmente "torsades de pointes" (a hipocaliémia é um fator de risco).
Vigiar e, se necessário, corrigir a hipocaliémia antes de usar esta associação. Monitorização clínica dos eletrólitos plasmáticos e do ECG.
Utilizar substâncias que não provoquem "torsades de pointes" em presença de hipocaliémia.

Usar com precaução:
- antiarrítmicos que induzem "torsades de pointes"
- antiarrítmicos classe Ia (quinidina, hidroquinidina, disopiramida);
- antiarrítmicos classe III (amiodarona, sotalol, dofetilide, ibutilide);
- alguns antipsicóticos: fenotiazinas (clorpromazina, ciamemazina, levomepromazina,
tioridazina, trifluoperazina), benzamidas (amisulpride, sulpiride, sultopride, tiapride),
butirofenonas (droperidol, haloperidol);
- outros: bepridil, cisapride, difemanil, eritromicina (IV), halofantrina, mizolastina,
pentamidina, moxifloxacina, vincamina (IV).

Com AINE (via sistémica) incluindo inibidores seletivos COX-2, ácido salicílico em doses elevadas (≥ 3g/dia): possível redução no efeito anti-hipertensivo da indapamida.

Risco de insuficiência renal aguda em doentes desidratados (diminuição da filtração glomerular). Hidratar o doente; monitorizar a função renal no início do tratamento.

Com Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA): risco de hipotensão súbita e/ou insuficiência renal aguda, quando se inicia o IECA, em presença de uma depleção de sódio pré-existente (em doentes com estenose da artéria renal).

Na hipertensão, quando um tratamento diurético anterior tenha provocado depleção de sódio, é necessário:
- suspender o diurético 3 dias antes do início do tratamento com o IECA e, se necessário, reiniciar o diurético hipocaliémico;
- ou iniciar o IECA com doses baixas e aumentar a dose gradualmente.

Na insuficiência cardíaca congestiva, iniciar o tratamento com uma dose muito baixa de IECA, possivelmente após uma redução na dose do diurético hipocaliémico concomitante.
Em todos os casos, durante as primeiras semanas de tratamento com um IECA,
monitorizar a função renal (creatinina plasmática).

Com outros hipocaliemiantes: anfotericina B (IV), gluco e mineralocorticoides (via sistémica), tetracosatido e laxante:
Risco aumentado de hipocaliémia (efeito aditivo). Monitorizar a caliémia e corrigir, se necessário.

Ter particular atenção em caso de terapêutica digitálica concomitante. A hipocaliémia favorece os efeitos tóxicos dos digitálicos. Monitorizar a caliémia e o
ECG e, se necessário, ajustar o tratamento.

Com baclofeno: aumento do efeito anti-hipertensivo.
Hidratar o doente e monitorizar a função renal no início do tratamento.

Associações a ter em consideração:
com diuréticos poupadores de potássio (amiloride, espironolactona, triantereno).
Embora as combinações racionais sejam úteis para certos doentes, pode ainda ocorrer hipocaliémia (particularmente em doentes com insuficiência renal ou diabetes) ou hipercaliémia.
Monitorizar a caliémia e o ECG e, se necessário, rever o tratamento.

Com metformina:
Risco aumentado da metformina induzir acidose láctica devido à possibilidade de
insuficiência renal funcional associada aos diuréticos e particularmente aos diuréticos
da ansa.
Não utilizar a metformina quando a creatinina ultrapassar 15 mg/l (135 μmoles/l) no homem e 12 mg/l (110 μmoles/l) na mulher.

Com meios de contraste iodados:
Em caso de desidratação provocada pelos diuréticos, risco aumentado de insuficiência
renal aguda, em particular quando são utilizadas doses elevadas de meios de contraste iodados. Re-hidratação antes da administração do produto iodado.

Com antidepressivos imipramínicos e neurolépticos: feito anti-hipertensivo e aumento do risco de hipotensão ortostática (efeito aditivo).

Com cálcio (sais de): risco de hipercalcemia por diminuição da eliminação urinária de cálcio.

Com ciclosporina, tacrolímus: risco de aumento da creatininémia sem qualquer alteração dos níveis circulantes de ciclosporina, mesmo na ausência de depleção hidrossódica.

Com corticosteroides, tetracosactido (via sistémica): diminuição do efeito anti-hipertensivo (retenção hidrossódica pelos corticosteroides).

Infliximab  Aumento do risco de infeções, incluindo infeções graves quando administrado concomitantemente com outros produtos biológicos.  Usar de cuidado na prescrição com outros fármacos por alterações farmacocinéticas relevantes.
Não é recomendada a administração concomitante com anacinra ou abatacept.
Inibidores da bomba de protões (IBP) A redução da acidez gástrica pode alterar a absorção de fármacos para os quais a acidez gástrica afeta a biodisponibilidade.
Todos são metabolizados pelo cit. P450, incluindo o CYP2C19 e o CYP3A4.
São raras as interações clinicamente significativas.
A absorção dos IBP é reduzida por:
Antiácidos
Tripanavir

Os IBP reduzem a absorção de:
Cetoconazol, itraconazol
Clozapina
Digoxina

Aumentam a concentração plasmática de:
Ciclosporina
Cilostazol (evitar o uso concomitante)
Claritromicina
Digoxina
Escitalopram
Fluvoxamina
Saquinavir
Tacrolímus

Reduzem a concentração plasmática de:
Atazanavir
Contracetivos orais
Nelfinavir (evitar uso concomitante)

Potenciam os efeitos por inibição do metabolismo:
Clomipramina
Diazepam, flurazepam, triazolam
Fenitoína
Varfarina

Reduzem a excreção de:
Metotrexato

Aumentam a excreção de:
Teofilina
Lanzoprazol

Inibem a isoenzima CYP2C19 e a bioactivação do clopidogrel com redução do efeito antiplaquetário

Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs) Na 1ª dose qualquer dos fármacos do grupo dos IECAS pode provocar hipotensão e o uso concomitante de um outro anti-hipertensor aumenta esse risco.  Na associação de qualquer anti-hipertensor com os IECAs atender sempre à dosagem adequada com cada fármaco para cada doente. Vigiar o efeito terapêutico e atender ao risco de hipotensão. 

Inibidores da HMG-CoA redutase (Estatinas)

Lovastatina, sinvastatina e, em menor extensão, atorvastatina, são suscetíveis aos inibidores do CYP3A4.
Risco aumentado de miopatia aditiva com outros fármacos que podem causar miopatia.

Fármacos que diminuem o metabolismo das estatinas:
Amiodarona
Atazanavir
Carbamazepina
Ciclosporina
Claritromicina
Diltiazem
Eritromicina
Genfibrozil: níveis plasmáticos aumentados de lovastatina e sinvastatina.
Indinavir
Nefazodona
Ritonavir
Verapamilo

Aumentam o metabolismo das estatinas:
Hipericão
Rifampicina
Clofibrato: aumento do risco de miopatia

V. também: Antifúngicos (com grupo Azol), Ciclosporina.

Inibidores da monoamino oxidase (IMAOs)

Aumento das reservas de nordrenalina nos neurónios adrenérgicos.
Deslocamento destas reservas por outros fármacos que podem desencadear uma crise hipertensiva.
Os IMAOs têm atividade hipoglicémica intrínseca.

Analgésicos narcóticos: alguns doentes desenvolvem hipertensão, rigidez, excitação; a petidina é mais provável interagir do que a morfina
Anorexiantes: episódios hipertensivos por libertação das reservas de nordrenalina (Ex: mazindol, fentermina e outros)
Antidiabéticos orais: efeito hipoglicemiante aditivo
Buspirona: possível síndrome serotoninérgica; evitar o uso concorrente
Dextrometorfano: têm sido referidas reações graves (hiperpirexia, coma, morte)
Fenilefrina: episódio hipertensivo, uma vez que a fenilefrina é metabolizada pela MAO
Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs): têm ocorrido mortes por síndrome serotoninérgica; contraindicados nos doentes que tomam IMAOs
Mirtazapina: possível síndrome serotoninérgica; evitar o uso concorrente
Nefazodona: possível síndrome serotoninérgica; evitar o uso concorrente
Simpaticomiméticos (de ação indireta): episódio hipertensivo por libertação das reservas de noradrenalina (anfetaminas, efedrina, fenilpropanolamina, pseudoefedrina)
Tramadol: possível síndrome serotoninérgica; evitar o uso concorrente.
Venlafaxina: possível síndrome serotoninérgica; evitar o uso concorrente

V. também: Antidepressores tricíclicos e heterocíclicos; Levodopa.

Insulinas   As necessidades de insulina podem aumentar com a administração de fármacos com atividade hiperglicemiante, tais como glucocorticoides, hormona da tiroide, hormona de crescimento, danazol, estimulantes simpaticomiméticos beta2 (tais como, ritodrina, salbutamol, terbutalina), tiazidas.

As necessidades de insulina podem diminuir na presença de fármacos com atividade hipoglicemiante, tais como hipoglicemiantes orais, salicilatos (p.ex. ácido acetilsalicílico), certos antidepressivos (inibidores da monoamino oxidase), certos inibidores da enzima de conversão da angiotensina (captopril, enalapril), bloqueadores dos recetores da angiotensina II, bloqueadores beta não seletivos e álcool.

Análogos da somatostatina (octreotido, lanreotida) podem diminuir ou aumentar as necessidades de insulina.

Iodeto de potássio
Ter em atenção o uso concomitante com fármacos poupadores de potássio pela possibilidade de híper caliemia. A associação com diuréticos poupadores de potássio produz uma redução da eliminação renal de potássio, podendo originar uma hipercaliémia grave (arritmias cardíacas) ou mesmo fatal (paragem cardíaca); a existência de uma função renal diminuída é um fator de predisposição para este acontecimento.
Se a administração concomitante destes fármacos for inevitável, recomenda-se monitorizar os níveis de potássio e ajustar a dose. Esta associação não é recomendada.

Sais de lítio: a administração concomitante de sais de lítio e sais de potássio pode induzir hipotiroidismo, pelo que esta associação deve ser evitada. No entanto, se for necessária pode-se administrar em simultâneo a hormona da tiroide para tratar os sintomas.

Fármacos antitiroideus: a associação pode produzir um efeito hipotiroideu adicional.

Ivabradina Aumento do risco de arritmias ventriculares
Aumento ou redução da concentração plasmática de ivabradina

Aumentam o risco de arritmias ventriculares em uso concomitante com a ivabradina:
Amiodarona, Disopiramido, Eritromicina, Mefloquina, Pentamidina, Pimozide, Sotalol

Aumentam a concentração plasmática de ivabradina:
Claritromicina (evitar uso concomitante), Diltiazem, Fluconazol (reduzir dose inicial de ivabradina), Itraconazol (evitar uso concomitante), Cetoconazol (evitar uso concomitante), Telitromicina (evitar uso concomitante), Verapamil

Reduz a concentração plasmática de ivabradina:
Hipericão (evitar uso concomitante)


Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Lauromacrogol 400     É um anestésico local. Com a administração concomitante de outros anestésicos existe o perigo de efeito aditivo no sistema cardiovascular.
Lacosamida O efeito antiepilético é antagonizado possivelmente pelos IMAOs e antidepressores tricíclicos
Efeito anticonvulsivante dos IRSS e antidepressores tricíclicos
A mefloquina e os antipsicóticos antagonisam o efeito anticonvulsivante.
O orlistat aumenta o risco de convulsões.
 Por redução do limiar convulsivante.
Lercanidipina É um bloqueador da entrada de cálcio e antiarrítmico

A lercanidipina é metabolizada pela enzima CYP3A4 pelo que os inibidores (ex. cetoconazol, itraconazol, ritonavir, eritromicina, troleandomicina) e indutores do CYP3A4, tais como fenitoína, carbamazepina e rifampicina, se administrados concomitantemente, podem interagir com o metabolismo e a eliminação da lercanidipina.

Com o cetoconazol, um inibidor do CYP3A4 mostrou um aumento dos níveis plasmáticos da lercanidipina, 15 vezes o valor da AUC e um aumento de 8 vezes do Cmax

Com a rifampicina o efeito anti-hipertensor é diminuído, devendo-se monitorizar a pressão arterial mais frequentemente do que o habitual.

A ciclosporina e a lercanidipina não devem ser administradas conjuntamente porque a AUC da ciclosporina aumenta 27%, enquanto os níveis
plasmáticos de lercanidipina sofreram um aumento de 3 vezes

A lercanidipina não deve ser administrada com sumo de toranja porque é sensível à inibição do metabolismo pelo sumo de toranja, com uma subida consequente da sua biodisponibilidade sistémica e aumento do efeito hipotensor.

A administração concomitante com midazolam aumenta a absorção da lercanidipina em cerca de 40% e o tmax foi retardado de 1,75 para 3 horas, sem modificação das concentrações de midazolam

Vigiar com cuidado quando a Lercanidipina for coprescrita com outros substratos do CYP3A4, como terfenadina, astemizol, antiarrítmicos da classe III, tais como a amiodarona e a quinidina.

A coadministração de Lercanidipina com indutores do CYP3A4, como fenitoína, carbamazepina e rifampicina deve ser vigiada com cuidado, porque o efeito anti-hipertensor pode ser diminuído, devendo-se monitorizar a pressão arterial com mais frequência do que o habitual.

A coadministração da Lercanidipina com metoprolol, um bloqueador beta-eliminado principalmente pelo fígado, a biodisponibilidade da lercanidipina foi reduzida em 50% enquanto que a do metoprolol não foi alterada. A alteração deve-se à redução do fluxo sanguíneo hepático causada pelo bloqueador adrenérgico beta e pode ocorrer com outros fármacos da mesma classe, podendo ser necessário um ajuste da dose.

A interação com a fluoxetina (um inibidor do CYP2D6 e do CYP3A4), demonstrou modificação clinicamente relevante da farmacocinética da lercanidipina.

A administração simultânea de 800 mg por dia de cimetidina não causa modificações significativas nos níveis plasmáticos de lercanidipina; porém, são necessárias precauções com doses mais elevadas porque a biodisponibilidade e o efeito hipotensor da
lercanidipina podem ser aumentados.

A coadministração de lercanidipina em doentes submetidos a tratamento crónico com β-metildigoxina não revelou qualquer evidência de interação farmacocinética. Voluntários saudáveis tratados com digoxina após
lercanidipina administrada em jejum, apresentaram um aumento médio de 33% no Cmax da digoxina, enquanto que a AUC e a depuração renal não foram
significativamente alterados. Doentes submetidos a tratamento concomitante com digoxina devem ser cuidadosamente monitorizados do ponto de vista clínico
relativamente a sinais de toxicidade pela digoxina.

Quando a Lercanidipina foi coadministrada
com sinvastatina, a AUC da lercanidipina não foi significativamente alterada, enquanto que a AUC da sinvastatina aumentou 56% e a do seu metabolito ativo, β-hidroxiácido, aumentou 28%. É improvável que tais alterações tenham relevância clínica.
Nenhuma interação é esperada quando a lercanidipina é administrada de manhã e a sinvastatina à noite, tal como indicado para este fármaco.

A coadministração de lercanidipina a voluntários saudáveis em jejum não alterou a farmacocinética da varfarina.

Lercanidipina foi administrada em segurança com diuréticos e inibidores da ECA.

Deverão evitar-se bebidas alcoólicas porque podem potenciar o efeito vasodilatador dos fármacos anti-hipertensores

Levodopa  A levodopa é degradada no intestino antes de alcançar os locais de absorção.
Os agentes que alteram a motilidade gastrintestinal podem alterar o grau de degradação intraluminal.
O efeito antiparkinsoniano da levodopa é suscetível à inibição por outros fármacos.  

Fármacos que inibem o efeito antiparkinsónico:
Clonidina
Inibidores da monoamino oxidase: reação hipertensiva (a carbidopa previne a interação)
Papaverina
Fenotiazinas
Fenitoína
Piridoxina
Sulpirida: a associação com agentes que possuem efeitos antagonistas dopaminérgicos pode conduzir a efeitos antagonistas.

Lidocaína Aumento da depressão miocárdica quando associada a outros antiarritmicos. Pode interagir com os seguintes fármacos:

- Antiarrítmicos: efeito aditivo, acentuando a depressão cardíaca.

- Bloqueadores beta (propranolol, metoprolol ou nadolol): o tratamento concomitante produz um aumento da concentração plasmática de lidocaína pela redução da depuração hepática, por diminuição do fluxo sanguíneo hepático.

Com antipsicóticos: aumento do risco de arritmias ventriculares quando se associam a antiarrítmicos que prolongam o intervalo QT.

- Agentes indutores enzimáticos (fenitoína, benzodiazepinas e barbitúricos): a administração prolongada destes fármacos faz com que a dose de lidocaína necessária para originar um efeito anestésico aumente, uma vez que estes agentes promovem o seu metabolismo hepático aumentando a sua eliminação.

- Cimetidina (Antagonista H2): parece haver uma certa redução do metabolismo hepático da lidocaína.

-A ação da lidocaína é antagonizada pela hiocaliémia causada por acetazolamida, diuréticos da ansa, tiazidas e relacionados.

- Suxametónio: a lidocaína pode prolongar a ação deste fármaco.

- A lidocaína não deverá ser utilizada no tratamento de taquicardias associadas a intoxicações pela cocaína, pois poderá aumentar a sua toxicidade.

- Contracetivos orais: a ligação da lidocaína às proteínas plasmáticas é diminuída pela presença de estrogénios, pelo que surge uma maior fração livre de lidocaína nas mulheres do que nos homens. A fração livre de lidocaína é ainda maior no caso de mulheres com terapêutica anticontracetiva oral e durante a gravidez.

Linagliptina
É um inibidor competitivo fraco da CYP3A4 e um inibidor fraco a moderado do mecanismo desta isoenzima, mas não inibe outras isoenzimas do CYP.
É um substrato da glicoproteína-P e inibe com baixa potência o transporte de alguns fármacos mediado pela glicoproteína-P.
Os dados clínicos a seguir descritos sugerem que o risco de interações clinicamente significativas com medicamentos administrados concomitantemente é baixo.

Metformina: em administração concomitante com linagliptina não alterou de forma clinicamente significativa a farmacocinética da linagliptina em voluntários saudáveis.

Sulfonilureias: a farmacocinética, da linagliptina não foi alterada com a administração concomitante de glibenclamida (gliburida).

Ritonavir: a administração concomitante de uma única dose oral de 5 mg de linagliptina e várias doses orais de ritonavir, um potente inibidor da glicoproteína-p e da CYP3A4, aumentou 4 a 5 vezes a AUC e o Cmax da linagliptina, sem aumento da acumulação, pelo que não são de esperar interações clinicamente relevantes com outros inibidores da glicoproteína P/CYP3A4.

Rifampicina: indutor potente da glicoproteína-p e da CYP3A4, em administração com linagliptina
resultou numa redução de cerca de 30% da AUC e do Cmax da linagliptina. Assim, a eficácia total da linagliptina pode não ser atingida, quando em associação com indutores fortes da glicoproteína-P, particularmente se estes forem administrados durante longos períodos de tempo.

Com sinvastatina, varfarina, digoxina e contracetivos orais, não se observaram evidencias de interações medicamentosas com substratos da CYP3A4, CYP2C9, CYP2C8, da glicoproteína-P e do transportador catiónico orgânico (OCT).

Lisinopril Aumento de hípercaliemia quando administrado com heparina

Diuréticos - efeito aditivo; reduzir a dose de lisinopril nos doentes que já se encontrem em terapêutica diurética e especialmente aqueles em que esta foi recentemente instituída pela possibilidade de hipotensão.

Com suplementos de potássio, diuréticos poupadores de potássio ou substitutos do sal contendo potássio, pode verificar-se
hipercaliemia em doentes. Os fatores de risco para o desenvolvimento de hipercaliemia incluem insuficiência renal e diabetes mellitus.

Com o Lítio foram reportados aumentos reversíveis das concentrações séricas de lítio, bem como de toxicidade, durante a administração concomitante de lítio e inibidores da ECA, pelo que não se recomenda esta associação. Se for necessário, vigiar a litiemia. O uso concomitante de diuréticos tiazídicos poderá aumentar o risco de toxicidade do lítio e potenciar a toxicidade dos inibidores da ECA.

Anti-inflamatórios nao-esteroides (AINEs), incluindo ácido acetilsalicílico ≥3 g/dia e outros AINEs em administração crónica pode reduzir o efeito antihipertensivo de um inibidor da ECA.
Os AINEs e os inibidores da ECA exercem um efeito aditivo sobre o aumento do potássio sérico e deterioração da função renal.

Sais de Ouro
Foram notificadas reações nitróides (sintomas de vasodilatação ncluindo rubor, naúseas, tonturas e hipotensão), após a administração de sais de ouro por via parental em doentes sob terapêutica com inibidores da ECA.

O uso concomitante com Trinitrato de glicerilo e outros nitratos ou outros vasodilatadores, poderá favorecer a redução da pressão arterial.
Os antidepressores tricíclicos, antipsicóticos e anestésicos em associação com IECAs pode resultar numa redução adicional da pressão arterial

Os simpaticomimeticos podem reduzir os efeitos anti-hipertensores dos IECAs.

Antidiabéticos: os IECAs podem diminuir os efeitos hipoglicemiantes com risco de hipoglicemia, em particular no inicio desta associação, em doentes com IR.

Lítio   A excreção renal do lítio é sensível a alterações no equilíbrio do sódio (a depleção de sódio tende a causar retenção de lítio).
Suscetível a fármacos que aumentam a toxicidade do lítio no SNC.  

Antagonistas dos recetores da angiotensina II (Ara II): reduzem a excreção renal do lítio e aumentam o efeito do lítio.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): reduzem a excreção renal do lítio com excreção dos salicilatos e do sulindac
Diuréticos (em especial tiazidas): reduzem a excreção do lítio; a furosemida é menos provável produzir este efeito dos diuréticos tiazídicos
Haloperidol: casos ocasionais de neurotoxicidade em doentes maníacos, em especial com doses elevadas de um ou de ambos os fármacos
Inibidores da enzima de conversão (IECAs): provavelmente reduzem a excreção renal do lítio e aumentam o efeito do lítio
Metildopa: possibilidade aumentada de toxicidade do lítio no SNS
Neurolépticos diversos: aumento do risco de toxicidade
Sulpirida e outras benzamidas: Não recomendada a associação pelo risco de surgirem "torsades de pointes"
Teofilina: aumento da excreção renal de lítio com redução do efeito do lítio
Verapamilo: por diversos mecanismos: aumento da toxicidade do lítio; diminuição do nível sérico do lítio; casos de bradicardia. 

Lumefantrina   Com outros antimaláricos não se verificaram interações.

O tratamento prévio com mefloquina não teve qualquer efeito nas concentrações
plasmáticas do arteméter ou na razão de arteméter/dihidroartemisinina; verificou-se uma redução significativa dos níveis plasmáticos da lumefantrina, possivelmente devido a menor absorção, secundária a uma menor na produção de bílis induzida pela mefloquina. Os doentes devem ser aconselhados a tomar a medicação com alimentos para compensar a diminuição na biodisponibilidade.

As concentrações plasmáticas da lumefantrina e quinina não foram afetadas pela administração de quinina I.V. As concentrações plasmáticas de arteméter e dihidroartemisinina (DHA) aparentaram ser inferiores. A administração desta associação não teve efeito no intervalo QTc.

Os inibidores do CYP450 3A4 (cetoconazol) levam a um aumento modesto na exposição do artemeter, DHA, e da lumefantrina em indivíduos saudáveis adultos. Este aumento da exposição à associação antimalárica não se traduziu num aumento dos efeitos secundários ou de alterações dos parâmetros eletrocardiográficos.

Estudos clínicos demonstraram que as artemisinas possuem alguma capacidade para induzir a CYP3A4 e CYP2C19 e inibir a CYP2D6 e CYP1A2, ainda que a magnitude destas alterações tenha sido geralmente baixa.

Verificou-se que a lumefantrina inibe o CYP2D6 in vitro, o que poderá ter alguma relevância.

 Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Macrólidos Podem interferir com a absorção de outros fármacos, inibir as enzimas metabolizadoras com aumento da toxicidade de alguns fármacos e, com menos frequência, reduzir a concentração plasmática de outros, por aceleração do metabolismo.
Os macrólidos envolvidos com mais frequência são a eritromicina (em particular por via parentérica) e a claritromicina.
A eritromicina em aplicação tópica não origina interações.
Por inibição enzimática, com aumento da concentração plasmática e da toxicidade respetiva interferem com:
Agonistas 5-HT1
Ansiolíticos e hipnóticos (buspirona, midazolam, zoplicone)
Antipsicóticos (clozapina, pimozide, quetiapina, sertindole, sulpiride e zuclopentixol).
Antivirais (atazanavir, efavirenz, ritonavir, tipranavir)
Atomoxetina
Aprepitante
Atorvastatina, pravastatina (com maior risco de miopatia)
Bloqueadores da entrada do cálcio (felodipina, lercanidipina, verapamilo).
Ciclosporina
Cilostazol
Cimetidina
Citotóxicos (docetaxel, vinblastina)
Colchicina
Digoxina
Dopaminérgicos (bromocriptina, cabergolina)
Eplerenona
Ergotamina, metisergide
Itraconazol
Ivabradina (possível arritmia ventricular)
Loratadina, mizolastina
Metilprednisolona
Sildenafil, tadalafil, vardenafil
Sirolímus, tacrolímus
Teoflina

Reduzem a concentração plasmática de:
Estrogénios (com possível redução do risco contracetivo)
Zafirlucaste

Reduzem a absorção de:
Antiácidos
Zidovudina

Aumentam a concentração plasmática de: Alfentanil, Fentanil

Aumento do risco de arritmia ventricular com eritromicina por via parentérica de: Amiodarona, Disopiramido, Dronedarona, Moxifloxacina, Rifabutina, Bedaquilina, Delamanid.

Aumento do efeito anticoagulante de claritromicina com: apixabano, cumarinas, dabigatrano.

Evitar macrólidos por via parentérica com anti depressores: reboxetina, citalopram, escitalopram, trazodona  

Mirabegrom Tem atividade indutora enzimática.

Evitar ou reduzir a dose de mirabegrom na insuficiência hepática ou renal quando se administra com: claritromicina, itraconazol e ritonavir.

O zanamivir não se liga às proteínas plasmáticas e não é metabolizado ou modificado a nível hepático, não sendo provável a ocorrência de interação medicamentosa clinicamente significativa.

O mirabegrom aumenta a concentração plasmática de metoprolol e de digoxina (reduzir a dose inicial de digoxina).


Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Nalmefeno Depressor do sistema nervoso central Não deve ser administrado com IMAOs por causar excitação ou depressão do SNC, hipotensão ou hipertensão

Com os agonistas/antagonistas da morfina (hidromorfona, buprenorfina, nalbufina, pentazocina) pode levar a redução do efeito analgésico através de bloqueio competitivo dos recetores, condicionando o risco de aparecimento de sintomas de abstinência, pelo que a associação é contraindicada.

O uso concomitante com depressores do SNC, tais como hipnóticos, sedativos, anestésicos gerais, antipsicóticos e álcool, pode causar efeitos depressivos aditivos, depressão respiratória, hipotensão e sedação profunda ou coma. Quando esta associação for indicada, deve ser reduzida a dose de um ou ambos os medicamentos.

Com os relaxantes musculares e opiáceos o nalmefeno pode acentuar a ação de bloqueio neuromuscular dos relaxantes musculares e causar aumento do grau da depressão respiratória.

O álcool pode potenciar os efeitos farmacodinâmicos do nalmefeno, pelo que o uso concomitante deve ser evitado.

Naloxona Usada na reversão opiácea
Em administração crónica, interage com a clonidina, causando a diminuição do efeito hipotensor e bradicárdico deste fármaco.

A administração da naloxona pode causar o prolongamento do APTT (tempo de protrombina).

Não devem ser adicionados outros fármacos às soluções contendo naloxona, exceto se a sua compatibilidade for conhecida.

As soluções de naloxona não devem ser misturadas com outras preparações contendo bissulfito, metabissulfito, aniões de cadeia longa ou elevado peso molecular ou preparações com pH alcalino.

Naproxeno   V. AINEs
Nevibolol O metabolismo de nebivolol envolve a isoenzima CYP2D6 A coadministração de nebivolol com substâncias que inibem a CYP 2D6 em especial paroxetina, fluoxetina, tioridazina e quinidina, pode conduzir a um aumento dos níveis plasmáticos de nebivolol associado a um aumento do risco de bradicardia excessiva e de efeitos adversos.

A coadministração de cimetidina aumentou os níveis plasmáticos de nebivolol, sem alteração dos efeitos clínicos.
A coadministração de ranitidina não afetou a farmacocinética do nebivolol. Desde que o nebivolol seja tomado com alimentos, e um antiácido entre as refeições, os dois tratamentos podem ser prescritos simultaneamente.

A associação de nebivolol com nicardipina aumentou ligeiramente os níveis plasmáticos dos dois fármacos, sem alteração dos efeitos clínicos.

A coadministração de álcool, furosemida, hidroclorotiazida e varfarina não afetou a faInterações clinicamente documentadas rmacocinética do nebivolol.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Olodaterol Ver simpaticomiméticos beta2

Investigações in vitro mostraram que o olodaterol não inibe as enzimas CYP ou transportadores de fármacos nas concentrações plasmáticas alcançadas na prática clínica.


A administração concomitante de outros agentes adrenérgicos (isolada ou como parte de uma terapêutica combinada) pode potenciar os efeitos indesejáveis do olodaterol.

Com derivados das xantinas, esteroides ou diuréticos não poupadores de potássio, em associação, pode potenciar algum efeito hipocaliemico dos agonistas adrenérgicos.

Os bloqueadores adrenérgicos beta podem diminuir ou contrariar o efeito do olodaterol (incluindo colírios). Neste contexto, os bloqueadores beta cardio seletivos podem ser considerados, apesar de deverem ser administrados com precaução.

Inibidores da MAO e antidepressivos tricíclicos, fármacos prolongadores do intervalo QTc podem potenciar a ação do olodaterol.

Não foram observados efeitos sistémicos relevantes à exposição ao olodaterol, em administração concomitante com fluconazol, usado como modelo de inibidor do CYP2C9.

A administração concomitante de cetoconazol, um inibidor potente do glicoproteína P e do CYP2C9 aumentou a exposição sistémica ao olodaterol em 70% e não foi necessário ajuste de dose.

A administração concomitante de olodaterol e tiotrópio não revelou efeitos significativos a exposição sistémica a nenhum dos fármacos.

As investigações in vitro mostraram que o olodaterol não inibe as enzimas CYP ou transportadores de fármacos nas concentrações plasmáticas alcançadas na prática clínica.

Oxicodona Eficácia e perfil de efeitos adversos semelhante ao da morfina. Usa-se principalmente nos cuidados paliativos para controlo da dor. Com depressores do SNC (outros opiáceos, sedativos, hipnóticos, antidepressivos, indutores do sono, fenotiazinas,
neurolépticos, anti histamínicos e anti-eméticos), pode potenciar o efeito depressor do SNC (ex., a depressão respiratória).

O álcool pode potenciar os efeitos farmacodinâmicos; o uso concomitante deve ser evitado.

Têm sido observados casos individuais de aumentos ou diminuições clinicamente relevantes na Relação Normalizada Internacional (INR) com a administração de oxicodona e anticoagulantes cumarínicos.

Os estudos de metabolismo in vitro indicam que não são previsíveis interações clinicamente relevantes entre a oxicodona e a naloxona.

Nas concentrações terapêuticas, não é de esperar que a oxicodona apresente interações clinicamente relevantes com outras substâncias ativas em administração concomitante e metabolizadas pelos isómeros do CYP, CYP1A2, CYP2A6, CYP2C9/19, CYP2D6, CYP2E1 e CYP3A4.
Adicionalmente, é mínima a possibilidade de ocorrência de interações clinicamente relevantes entre o paracetamol, o ácido acetilsalicílico ou a naltrexona e a combinação de oxicodona e naloxona nas concentrações terapêuticas.

Óxido de zinco   Não estão descritas na bibliografia interações medicamentosas. Não aplicar o óxido de zinco na mesma zona, simultaneamente com outros medicamentos de uso cutâneo.            
Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Paliperidona  Interação farmacodinâmica com outros fármacos de ação central ou que prolongam o intervalo QT. Interação farmacocinética ao nível da depuração renal e ao nível da biodisponibilidade. Interação com outros fármacos de ação central ou que prolongam o intervalo QT; a carbamazepina acelera a depuração renal da paliperidona. A sua biodisponibilidade pode ser influenciada pelos alimentos: o doente deve ser instruído a tomar sempre a medicação em jejum ou em conjunto com o pequeno-almoço e a nunca alternar a forma da toma do medicamento com ou sem alimentos.
Parecoxib
V. AINEs
Recomenda-se a monitorização do tratamento com anticoagulantes, em particular nos primeiros dias após o início do parecoxib, pelo risco aumentado de complicações hemorrágicas. Estes doentes deverão ser monitorizados em relação ao tempo de protrombina, INR.
O parecoxib não apresentou efeito sobre a inibição da agregação plaquetar ou tempo de hemorragia mediadas pelo ácido acetilsalicílico em doses baixas.

Com outros AINEs, demonstrou-se um risco aumentado de ulceração e outras complicações digestivas.
A administração concomitante com heparina não afetou o tempo parcial de promboplastina ativada, comparativamente à heparina isolada.

A inibição das prostaglandinas por AINEs, incluindo inibidores da COX-2, pode diminuir o efeito dos inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), dos antagonistas da angiotensina II, dos bloqueadores beta e dos diuréticos.

Em doentes idosos, com depleção do volume (incluindo aqueles em tratamento com diuréticos), ou com compromisso da função renal, a coadministração de AINEs, incluindo inibidores seletivos da COX-2, com IECAs ou antagonistas da Angiotensina II, pode resultar em deterioração da função renal, incluindo insuficiência renal aguda. Estes efeitos são geralmente reversíveis.
Os doentes devem ser adequadamente hidratados e a monitorização da função renal deve ser feita no início do tratamento concomitante e, depois, periodicamente.

A administração de AINEs e ciclosporina ou tacrolímus aumenta o efeito nefrotóxico da ciclosporina e do tacrolímus devido aos efeitos dos AINEs nas prostaglandinas renais, pelo que se recomenda a monitorização da função renal aquando da administração concomitante do parecoxib com um destes medicamentos.

O parecoxib quando administrado com analgésicos opiáceos (em medicação de alívio da dor) reduz significativamente a necessidade de opiáceos.

O parecoxib é rapidamente hidrolisado no metabolito ativo, valdecoxib que é predominantemente metabolizado pela via das isoenzimas CYP3A4 e 2C9.

A exposição plasmática (AUC e Cmax) do valdecoxib aumentou (62% e 19%, respetivamente) quando em administração concomitante com o fluconazol (um inibidor da CYP2C9), indicando que a dose do parecoxib deverá ser reduzida nos doentes a receber tratamento com fluconazol.
O mesmo sucede com o cetoconazol (AUC e Cmax do valdecoxib aumentou 38% e 24%, respetivamente) quando administrado com o cetoconazol (inibidor da CYP3A4); no entanto, normalmente não é necessário ajuste da dose nos doentes tratados com cetoconazol.

O metabolismo do valdecoxib pode aumentar quando administrado com indutores enzimáticos, como a rifampicina, fenitoína, carbamazepina ou dexametasona.

O tratamento com valdecoxib origina um aumento de 3 vezes as concentrações plasmáticas do dextrometorfano (substrato da CYP2D6). Recomenda-se portanto precaução no uso concomitante de parecoxib com medicamentos metabolizados pela CYP2D6 e que apresentem uma margem terapêutica estreita (ex, flecainida, propafenona, metoprolol).

O valdecoxib, apesar de não ser metabolizado pela CYP2C19, pode ser um inibidor desta isoenzima e por esta razão, recomenda-se precaução quando se administra com medicamentos que sejam substratos da CYP2C19 (por exemplo, fenitoína, diazepam ou imipramina).
Em doentes com artrite reumatoide a receber uma dose estável semanal de metotrexato (5-20 mg/semana, como dose única por via oral ou intramuscular), a administração oral de valdecoxib (10 mg ou 40 mg, duas vezes por dia), teve pouco ou nenhum efeito nas concentrações plasmáticas do metotrexato no estado estacionário. Contudo, aconselha-se precaução ao administrar metotrexato em simultâneo com AINEs, uma vez que a administração conjunta pode resultar num aumento dos níveis plasmáticos do metotrexato.

Nos doentes a receber lítio, a concentração sérica de lítio deve ser cuidadosamente monitorizada quando o tratamento com parecoxib é iniciado ou alterado.

A administração concomitante do valdecoxib com glibenclamida (substrato da CYP3A4) não afetou a farmacocinética nem a farmacodinâmica (níveis de glucose sanguínea ou de insulina) da glibenclamida.

Com os anestésicos injetáveis a administração concomitante de parecoxib por via intravenosa com propofol (substrato do CYP2C9) ou midazolam (substrato do CYP3A4) não afetou a farmacocinética  nem a farmacodinâmica (efeitos na eletroencefalografia (EEG), testes psicomotores e o acordar da sedação) dos anestésicos.
A administração de parecoxib por via intravenosa não apresentou efeito significativo na farmacocinética quer do fentanil quer do alfentanil por via intravenosa (substratos do CYP3A4).

Não se observou evidência de interação farmacodinâmica nos doentes em que foi administrado parecoxib e agentes anestésicos inalados, óxido nítrico e isoflurano.

Pimozida

Suscetível aos inibidores do CYP3A4; pode exibir efeitos aditivos com outros agentes que prolongam o intervalo QTc.

Claritromicina: reduz o metabolismo da pimozida.
Eritromicina: reduz o metabolismo da pimozida.
Nefazodona: reduz o metabolismo da pimozida.

Antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos, anti arrítmicos alguns anti-histamínicos e anti maláricos ou outros fármacos que prolongam o intervalo QT não devem ser associados à pimozida.

Não associar a diuréticos e outros fármacos que causem alterações eletrolíticas.

V. também: Antifúngicos Azol; Ciclosporina.

Piperaquina + Artenimol  Tem uma semivida longa, com potencial de interações poderem ocorrer até 3 meses depois de terminar a terapêutica

Evitar uso concomitante com: metadona, amiodarona, disopiramido, moxifloxacina, citalopram, escitalopram, imidazois e triazois, mizolastina, droperidol, haloperidol, fenotiazinas e pimozida, saquinavir, sotalol, trióxido de arsénio, domperidona, pentamidina isetionato (risco de arritmia ventricular).

Não associar a vimblastina, vincristina, vinflunina e vinorelbina.

Os antimaláricos inativam a vacina oral da febre tifóide.

Pitavastatina O transporte para os hepatócitos por diversos transportadores hepáticos pode estar envolvido nas interações. O uso de ciclosporina, com a pivastatina aumenta a concentração desta; o mesmo acontece com a eritromicina.
O gemfibrozil e os fibratos aumentam a incidência de miopatia e rabdomiólise por aumento da concentração da pivastatina.
A rifampicina aumenta a absorção da pitavastatina por assimilação hepática reduzida.

Nos doentes a tomar varfarina deve ter-se em atenção os tempos de protrombina e proceder à monitorização com cuidado.

Phleum pratense  

Terapia concomitante com agentes antialérgicos sintomáticos (por exemplo, anti-histamínicos, corticosteroides e/ou estabilizadores dos mastócitos) pode aumentar o nível de tolerância do doente à imunoterapia.
Não existem dados disponíveis quanto a possíveis riscos de imunoterapia simultânea com outros alergénios durante o tratamento com o Phleum pratense.

Pramipexol Evitar o uso concomitante de antipsicóticos por antagonismo de efeito. Com a memantina verifica-se possível efeito dopaminergico devido ao aumento da concentração desta.
O efeito antiparkinsoniano do pramipexol é antagonisado pela metildopa.
A cimetidina reduz a excreção do pramipexol com aumento da concentração plasmática deste. Recomenda-se reduzir a dose de cimetidina.
Pravastatina A pravastatina não é metabolizada numa extensão clinicamente significativa pelo sistema do citocromo P450.

V. Inibidores da HMG-CoA redutase (Estatinas)
Aumento da frequência de rabdomiólise quando os Fibratos se associam à pravastatina.

Com a Colestiramina/Colestipol: não há diminuição significativa no efeito terapêutico quando a pravastatina foi administrada uma hora antes ou quatro horas após a colestiramina ou uma hora antes do colestipol

A administração concomitante com ciclosporina dá origem a um aumento de cerca de 4 vezes na exposição sistémica da pravastatina. Recomenda-se uma monitorização clínica e bioquímica destes doentes.

A pravastatina associada à Varfarina e outros anticoagulantes orais não produziu quaisquer alterações no efeito anticoagulante, mesmo em uso crónico.

Produtos metabolizados pelo citocromo P450: a pravastatina não é metabolizada numa extensão significativa pelo sistema do citocromo P450 pelo que os fármacos que são metabolizados ou são inibidores deste sistema podem ser adicionados a um regime estável com pravastatina sem provocarem alterações significativas nos níveis plasmáticos de pravastatina, tal como tem sido observado com outras estatinas. A inexistência de uma significativa interação farmacocinética com a pravastatina foi demonstrada para vários fármacos, em particular os substratos/inibidores do CYP3A4, como o diltiazem, verapamil, itraconazol, cetoconazol, inibidores da protease, sumo de toranja e inibidores do CYP2C9, como o fluconazol.

Em estudos de interações de pravastatina com a eritromicina e a claritromicina observou-se em ambos os casos, um aumento estatisticamente significativo na AUC e na Cmax da pravastatina.
Embora estas alterações sejam pequenas, deve revestir-se de precaução a associação de pravastatina com estes macrólidos.

 Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Quinolonas Suscetíveis à inibição da absorção gastrintestinal.
Algumas quinolonas inibem o CYP1A2.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): o uso concomitante de ciprofloxacina com ácido mefenâmico ou naproxeno pode potenciar a toxicidade com aparecimento de convulsões.

Citotóxicos: potenciação da toxicidade do metotrexato por inibição do transporte tubular renal em uso concomitante com ciprofloxacina; ácido nalidíxico; aumenta a toxicidade do melfalam, possível aumento de arritmias ventriculares quando a moxifloxacina é dada com bosutinib; a ciprofloxacina aumenta a concentração do bosutinib - o produtor recomenda reduzir a dose do citotóxico.

Sucralfato: reduz a absorção da ciprofloxacina, norfloxacina e provavelmente outras quinolonas.

O tratamento concomitante com cimetidina, antiácidos contendo Al e Mg ou preparados contendo ferro e cálcio reduzem a absorção de ciprofloxacina, levofloxacina, norfloxacina e ofloxacina. Assim, as quinolonas devem ser administradas 2 horas antes ou pelo menos 4 horas após a administração destes medicamentos.

A administração concomitante de levofloxacina com leite resulta numa redução da curva de absorção (AUC) e redução da recuperação urinária da levofloxacina, enquanto a ingestão de alimentos retarda e reduz os níveis plasmáticos.

Com antiarrítmicos: aumento do risco de arritmias ventriculares quando a levofloxacina ou moxifloxacina são dadas com amiodarona e disopiramido - evitar o uso concomitante.

As quinolonas podem provocar hipoglicemia em doentes diabéticos que tomam hipoglicemiantes, como a glibenclamida.

A administração concomitante de quinolonas e teofilina pode causar uma ligeira diminuição da depuração da teofilina sem qualquer relevância clínica. Todavia a ciprofloxacina, enoxacina e, em menor extensão, a norfloxacina, inibem o metabolismo da teofilina; levofloxacina, lomefloxacina e ofloxacina parecem ter menos efeito. No entanto, é aconselhável a monitorização dos níveis plasmáticos de teofilina nos doentes com perturbações metabólicas ou que apresentem fatores de risco.

Ácido nalidíxico, norfloxacina e ofloxacina: podem aumentar os efeitos dos anticoagulantes orais como a varfarina e os seus derivados; a levofloxacina potencia o efeito anticoagulante da fenindiona. Quando estes produtos forem administrados concomitantemente com quinolonas - recomenda-se uma monitorização do tempo de protrombina ou outros testes fiáveis da coagulação.

Com antiarrítmicos há aumento do risco de arritmias ventriculares quando a moxifloxacina é usada com a amiodarona ou disopiramido. O mesmo acontece com a eritromicina ou a telitromicina

Cafeína: ciprofloxacina, enoxacina, ácido pipemídico e, em menor extensão, a norfloxacina inibem o metabolismo da cafeína

Os antipsicóticos como o droperidol, haloperidol, fenotiazinas, pimozide ou zuclopentixol em uso concomitante com quinolonas podem aumentar o risco de arritmias ventriculares.

Antidepressores: evitar o uso de citalopram, escitalopram, agomelatina e triciclicos por risco de arritmias ventriculares com moxifloxacina.

Bloqueadores Beta (sotalol) risco de arritmias ventriculares com a oxifloxacina.

V. também: Antiácidos, Anticoagulantes orais; Ferro.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Ranolazina
Anti-anginoso a usar com precaução na IH e IR A concentração plasmática de ranolazina é possivelmente aumentada por: claritromicina, telitromicina, paroxetina, antifúngicos (itraconazol, posaconazol e voriconazol), antivirais (atazanavir, darinavir, fosamprenavir, indinavir, lopinavir, ritonavir, saquinavir e tipranavir) e reduzida pela rifampicin. O produtor recomenda evitar o uso concomitante.
Rifampicina

Indutor potente das enzimas microssomais metabolizadoras de fármacos.

Anticoagulantes orais (acenocumarol, varfarina): por indução enzimática, a rifampicina acelera o catabolismo do anticoagulante. O efeito anticoagulante das cumarinas é reduzido; a rifampicina reduz a concentração plasmática de dabigatrano e rivaroxabano (o produtor recomenda vigiar para sinais de trombose)

Corticosteroides: aumento do metabolismo hepático dos corticosteroides com redução do efeito dos corticosteroides

Digoxina: pode diminuir o efeito digitálico

Inibidores da protease: a coadministração de rifampicina resulta no decréscimo da concentração plasmática do antivírico

Sulfonilureias hipoglicemiantes: aumento do metabolismo hepático da tolbutamida e provavelmente de outras sulfonilureias metabolizadas pelo fígado (incluindo a clorpropamida). Não são alteradas significativamente pela saxagliptina

Teofilina: aumento do metabolismo, com redução do efeito da teofilina.

A rifampicina reduz a concentração plasmática do apixabano - evitar o uso concomitante para tratamento da trombose venosa profunda ou embolismo pulmonar.

O produtor recomenda evitar o uso de rifampicina com piperaquina com artenimol por redução da concentração plasmática. Também com mefloquina e quinina.

A rifampicina acelera o metabolismo dos antipsicóticos: haloperidol, aripiprazol, clozapina.

Ansioliticos e hipnóticos: a rifampicina acelera o metabolismo do diazepam e outras benzodiazepinas, zaleplom, buspirona e zolpidem.

V. também: Antifúngicos Azol; Bloqueadores adrenérgicos beta; Bloqueadores dos canais de cálcio; Ciclosporina; Digoxina; Estrogénios.

Ruibarbo É um composto que associa cálcio e ruibarbo Os diuréticos tiazídicos reduzem a excreção urinária do cálcio. Devido ao risco aumentado de hipercalcemia, os níveis séricos de cálcio devem ser regularmente monitorizados durante a utilização concomitante de Ruibarbo e de diuréticos tiazídicos.

Os corticosteroides sistémicos reduzem a absorção de cálcio e durante a utilização concomitante com ruibarbo pode ser necessário aumentar a dose de cálcio.

As tetraciclinas podem não ser devidamente absorvidas quando administradas em simultâneo com preparações de cálcio. Por esta razão, devem ser administradas, pelo menos, 2 horas antes ou 4 a 6 horas após a ingestão oral de cálcio.

A cardiotoxicidade dos glicósidos pode aumentar com hipercalcemia resultante do tratamento com cálcio. Nos doentes a utilizar concomitante o preparado de cálcio e cardioglicósidos devem ser monitorizados o seu ECG e os níveis séricos de cálcio.

O bifosfonato oral ou fluoreto de sódio administrados com preparações de cálcio podem ver reduzida a sua absorção gastrintestinal. Por esta razão, o bifosfonato oral deve ser administrado pelo menos 3 horas antes da ingestão de cálcio.

O ácido oxálico (encontrado, por exemplo, no espinafre e no ruibarbo) e o ácido fítico (encontrado, por exemplo, nos cereais integrais) podem inibir a absorção de cálcio através da formação de compostos insolúveis com os iões de cálcio. O doente não deve ingerir produtos com cálcio nas 2 horas seguintes à ingestão de alimentos ricos em ácido oxálico e ácido fítico.

 Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Sacubitril  Utilizado em associação ao valsartan no tratamento da insuficiência cardíaca crónica sintomática com fração de ejeção reduzida.  Ligeiro aumento das concentrações de estatinas e de lítio e ligeira diminuição das concentrações de furosemida e metformina. Potenciação dos efeitos de nitroglicerina e sildenafil. Uso simultâneo de anti-inflamatórios tem risco de agravamento da função renal. 
Salicilatos

Interferem com a excreção renal de fármacos que sofrem secreção tubular ativa.
A excreção renal de salicilatos é dependente do pH urinário quando são usadas grandes doses de salicilatos.
O ácido acetilsalicílico (mas não os outros salicilatos) interfere com a função plaquetar.
Grandes doses de salicilatos têm atividade hipoglicémica intrínseca.

Corticosteroides: eliminação dos salicilatos aumentada; possível efeito aditivo tóxico sobre a mucosa gástrica
Heparina: maior tendência hemorrágica com o ácido acetilsalicílico, mas não com os outros salicilatos
Inibidores da anidrase carbónica: concentração sérica de acetazolamida aumentada; aumento da toxicidade dos salicilatos por redução do pH sanguíneo.
Metotrexato: diminuição da depuração renal do metotrexato; aumento da toxicidade do metotrexato (principalmente em doses anticancerosas).
Sulfimpirazona: diminuição do efeito uricosúrico da sulfimpirazona (interação improvável com menos de 1,5 g/dia de salicilato).

V. também: Antiácidos; Anticoagulantes orais.

Silodosina Bloqueador alfa 2 usado na hipertrofia prostática para regular o fluxo urinário. Com fármacos anti-hipertensores, provoca efeitos aditivos.
Com bloqueadores beta, potenciação do efeito hipotensor na primeiras tomas. Metabolismo através da CYP3A4, da álcool desidrogenase ou transporte dos metabolitos através da gp-P. 
Sofosbuvir Interações metabólicas ao nível da metabolização de fármacos. O sofosbuvir pode ser administrado em associação com o velpatasvir.  Medicamentos que são indutores potentes da gp-P ou do CYP 450 como a rifampicina, rifamicina, fenitoína, fenobarbital, carbamazepina ou produtos contendo hipericão, podem reduzir as concentrações plasmáticas do sofosbuvir e do velpatasvir para valores subterapêuticos.
A administração concomitante com amiodarona aumenta o risco de bradicardia grave ou bloqueio cardíaco.
A administração de anti-ácidos deve ser separada de, pelo menos, 4 horas e a coadministração de inibidores da bomba de protões não é recomendada.
A administração concomitante com dabigatrano aumenta o risco de hemorragia e a coadministração de rosuvastatina ou de tenofovir determina um aumento significativo das concentrações destes fármacos; as concentrações do velpatasvir são significativamente reduzidas pelo efavirenz.
Solifenacina Antimuscarínico metabolizado pelo CYP3A4

A medicação concomitante, com outros medicamentos que possuam propriedades anticolinérgicas, pode resultar em efeitos terapêuticos mais pronunciados e efeitos
indesejáveis. Deve ser concedido um intervalo de aproximadamente uma semana após a solifenacina, antes de começar outra terapia anticolinérgica.

O efeito terapêutico da solifenacina pode ser reduzido pela administração concomitante de agonistas dos recetores colinérgicos.

A administração simultânea de cetoconazol (200 mg/dia), um inibidor potente do CYP3A4, resultou num aumento de duas vezes da AUC da solifenacina, enquanto o cetoconazol numa dose de 400 mg/dia resultou num aumento de 3
vezes da AUC da solifenacina. Consequentemente, a dose máxima de solifenacina deve ser restringida a 5 mg, quando utilizada simultaneamente com cetoconazol ou doses terapêuticas de outros inibidores potentes do CYP3A4 (por ex. nelfinavir, itraconazol) .
O tratamento simultâneo da solifenacina com um inibidor potente do CYP3A4 está contraindicado em doentes com compromisso renal grave ou compromisso hepático moderado.
São ainda possíveis interações farmacocinéticas com outros substratos com maior afinidade (por exemplo, verapamilo, diltiazem) e indutores do CYP3A4 (por exemplo, rifampicina, fenitoína, carbamazepina).

 Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Tacrolímus
Afeta a resposta imunológica prevenindo a rejeição de recetores de alotransplante. Risco de nefrotoxicidade com AINEs, aminoglicosídeos, anfotericina, vancomicina, ciclosporina, antivirais, como aciclovir ou ganciclovir (evitar uso concomitante por risco de nefrotoxicidade).

Concentração aumentada do tacrolímus por claritromicina, eritromicina, cloranfenicol, telitromicina, atazanavir e ritonavir

Antifúngicos: fluconazol, itraconazol, posaconazol e voriconazol (aumentam a concentração plasmática do tacrolímus - considerar redução da dose do tracolímus)

A concentração plasmática é reduzida pela rifabutina, rifampicina e caspofungina

Evitar o uso do tacrolímus com droperidol (risco de arritmias ventriculares)

Risco de hipercaliemia com sais de potássio, antagonistas dos recetores da angiotensina II, diuréticos poupadores de potássio e antagonistas da aldosterona, etinilestradiol, ranolazina, sevelâmero e omeprazol.

O tacrolímus aumenta a concentração plasmática de dabigatrano - evitar o uso concomitante.

Os bloqueadores dos canais de cálcio (felodipina, nicardipina, verapamil, diltiazem e nifedipina) aumentam a concentração plasmática do tracolímus

O tacrolímus aumenta a concentração plasmática do afatinib e crizotinib (citotóxicos) devendo ser administrados com 6 a 12 horas de intervalo.

A concentração plasmática é reduzida pelo fenobarbital e fenitoína.
Os produtores recomendam evitar o uso de tracolímus com dexrazoxano e mifamurtide.

Tansulosina
Bloqueador adrenérgico alfa

Efeito hipotensor aumentado com: bloqueadores da enzima de conversão da angiotensina; com álcool, aldesleucina, anestésicos gerais, IMAOs, antipsicóticos, ansiolíticos, hipnóticos, outros antagonistas adrenérgicos alfa, bloqueadores adrenérgicos beta, bloqueadores da entrada de cálcio, clonidina, corticosteroides, diuréticos, metildopa, moxonidina, relaxantes musculares (baclofeno e tizanidina), nitratos, estrogénios, prostaglandinas, sildenafil, tadanafil, vardenafil, hidralazina, minoxidil ou nitroprussiato de sódio.

A concentração plasmática é aumentada por antivirais e cardio glicosídeos.

Telmisartan   V.  Antagonistas dos Recetores II da Angiotensina (ARA II)
Teofilina

Suscetível à inibição do metabolismo hepático pelo CYP1A2.
Metabolismo induzível.

Benzodiazepinas: inibição da sedação pelas benzodiazepinas
Bloqueadores adrenérgicos beta: diminuição da broncodilatação pela teofilina

Fármacos que diminuem o metabolismo da teofilina:
Claritromicina
Diltiazem
Eritromicina
Estrogénios e contracetivos estroprogestativos
Fluvoxamina
Quinolonas
Tacrina
Ticlopidina
Verapamilo
Zileuton

Por indução do metabolismo hepático pelo CYP1A2 com diminuição do efeito de:
Carbamazepina
Estimulantes adrenérgicos beta 2
Fenitoína
Hipericão
Inibidores da protease

Fumo do tabaco: aumenta o metabolismo da teofilina.

V. também: Barbitúricos; Carbamazepina; Cimetidina; Lítio; Fenitoína; Quinolonas; Rifampicina.

Ticagrelor

Por inibição do metabolismo pelo CYP3A4
Por indução do metabolismo pelo CYP3A4
Por reforço possível do efeito bradicardizante
Por exposição de Ticagrelor a inibidores da glicoproteina-P(P-gp) deve aumentar-se a vigilância

 

O Ticagrelor aumenta a concentração plasmática de:
Ciclosporina
Dabigatrano                                                                   Diltiazem
Digoxina
Alcalóides da cravagem
Sinvastatina (possível aumento de miopatia)

Aumenta a concentração plasmática do Ticagrelor com:
Atazanavir
Cilosporina
Claritromicina
Eritromicina
Diltiazem
Cetoconazol
Ritonavir
(com os antivíricos atazanavir e ritonavir recomenda-se evitar o uso concomitante)

A concentração plasmática de Ticagrelor é reduzida por:
Rifampicina
Carbamazepina
Fenitoína
Fenobarbital
Dexametasona

Possível aumento do risco de hemorragia quando o Ticagrelor é usado em simultâneo com:
Citalopram
Paroxetina
Sertralina

Usar de precaução aquando do uso simultâneo com depressores cardíacos:
Cardioglicosidos Bloqueadores beta
Quinidina
Amiodarona
Flecainida

Torasemida
Diurético da ansa

Em doentes com hipertensão arterial essencial, a administração de torasemida conjuntamente com bloqueadores beta, antagonistas dos canais de cálcio, inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), digitálicos e nitratos, não tem sido associada a eventos adversos.

A torasemida não afeta a ligação proteica da glibenclamida nem a da varfarina nem a farmacocinética da digoxina ou do carvedilol (vasodilatador/bloqueador beta).

Em indivíduos saudáveis, a coadministração de torasemida foi associada a uma redução significativa na excreção renal de espironolactona, com aumentos correspondentes na área sob a curva (AUC) mas, a experiência clínica sugere que não será necessário o ajuste posológico de qualquer destes fármacos.

Triptorrelina Aquando da administração de triptorrelina com fármacos que afetam a secreção hipofisária das gonadotrofinas, recomenda-se precaução e a monitorização do estado hormonal do doente. Como a privação androgénica pode prolongar o intervalo QT, a utilização concomitante de triptorrelina com medicamentos que prolongam o intervalo QT, ou induzam "torsade de pointes", como os antiarrítmicos da classe IA (quinidina, procainamida) ou da classe III (amiodarona, sotalol) deverá ser cuidadosamente avaliada. Usar de precaução quando do uso simultâneo com antiarrítmicos das classes I A e IIIA.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Ulipristal É um modulador do recetor da progesterona, com efeito antagonista parcial da progesterona; tem efeitos de inibidor enzimático Doses baixas de ulipristal com claritromicina ou eritromicina aumentam a concentração plasmática, pelo que se desaconselha o uso concomitante.
A rifampicina reduz o efeito contracetivo. O produtor recomenda que se administre a fexofenadina, dabigatran e digoxina pelo menos 1,5 horas antes ou depois do ulipristal.
O uso concomitante com hipericão, carbamazepina, fenobarbital e fenitoína (efeito contracetivo do ulipristal diminuído). O ulipristal reduz o efeito contracetivo dos progestagenios.

Fármacos ou grupo de fármacos Propriedades que promovem a interação Interações clinicamente documentadas
Valsartan  

V. Antagonistas dos recetores II da angiotensina (ARA II).
V. sacubitril

Vacinas vivas
Por redução ou impedimento da resposta imunológica à vacina Evitar uso concomitante com:
Abatacept
Adalimumab
Corticosteroides
Etanercept
Golimumab
Infliximab
Leflunomide
Vacina inativada contra a raiva
Contraindicada em indivíduos com uma reação anafilática prévia a uma dose anterior de uma vacina que contenha o mesmo antigénio ou componente (como um antibacteriano nas vacinas antivirais) As reações de hipersensibilidade, tais como broncospasmo, angioedema, urticaria e anafilaxia são muito raras mas, podem ser fatais.
As vacinas vivas devem ser adiadas até pelo menos 3 meses depois de interromper corticosteroides sistémicos em doses elevadas ou radioterapia generalizada (pelo menos 12 meses após interromper os imunossupressores que sigam transplante de medula óssea).
Velpatasvir    V. sofosbuvir.