15. Medicamentos usados em afeções oculares
Os medicamentos usados em afeções oculares podem ser administrados por via sistémica ou por via tópica. Por via sistémica, o acesso dos fármacos ao olho é dificultado por várias barreiras biológicas, requerendo doses mais elevadas, com marcados efeitos sistémicos. Outras formas de administração, como a injeção subconjuntival, a injeção retrobulbar ou os sistemas oculares de cedência prolongada, são recursos disponíveis quando se pretendem níveis intraoculares superiores aos obtidos pela via tópica. Tal como na administração sistémica, também a utilização destes últimos recursos deve pertencer ao foro do especialista. Neste capítulo serão abordados os medicamentos administrados por via tópica, relegando-se os seus efeitos sistémicos para os capítulos em que se considere tal uso. Excetuam-se os casos em que as indicações principais são as afeções oculares.
Os fármacos usados por via tópica são administrados sob a forma de colírios (preparações líquidas), geles ou pomadas oftálmicas que são aplicadas no fundo dos sacos conjuntivais. A permanência do fármaco na córnea depende da forma farmacêutica. Normalmente, a maior parte do fármaco administrado sob a forma de colírio é eliminado pelas vias lacrimais, num período de 15 a 30 segundos após a instilação. A drenagem nasal pode ser reduzida usando colírios viscosos, diminuindo o volume de cada instilação, por oclusão naso-lacrimal e/ou fechando suavemente as pálpebras após cada instilação. É, por isso, recomendável algum espaçamento (5 minutos) entre gotas quando se instilam duas ou mais em cada administração para maximizar os efeitos oculares. As pomadas permitem t1/2 de cerca de 140 minutos.
A absorção sistémica dos fármacos administrados por via tópica pode ocorrer através dos vasos da conjuntiva ou através da mucosa nasal (do fármaco drenado para a cavidade nasal) e é menor quando se recorre a soluções aquosas. O risco de ocorrerem reações adversas e interações com outros fármacos a nível sistémico é, de um modo geral, muito baixo mas de intensidade imprevisível.
A garantia de esterilidade é uma das principais exigências nas formulações para uso ocular. Para minorar a contaminação após a abertura (particularmente de formas líquidas) deve evitar-se o contacto da embalagem com as pálpebras ou com a conjuntiva e rejeitar-se a embalagem quatro semanas após a sua abertura.
Lentes de contacto: Como regra geral não se recomenda o seu uso durante uma terapêutica ocular tópica. Alguns fármacos e conservantes podem acumular-se ou reagir com as lentes e causar a sua coloração ou reações oculares tóxicas. A reação com as lentes pode também ocorrer com fármacos administrados por via sistémica, como é o caso de alguns anticoncecionais orais (especialmente com altos níveis de estrogénios), de fármacos que reduzem o pestanejar ou a produção de lágrimas, de fármacos com ação lacrimogénea, da isotretinoína (por poder causar conjuntivites), da primidona (por poder causar edema ocular ou palpebral), do ácido acetilsalicílico (por poder surgir nas lágrimas, ser adsorvido pelas lentes de contacto e causar irritação) e da
rifampicina e
sulfassalazina (por poderem colorir as lentes).