Antídotos são substâncias capazes de contrariar os efeitos tóxicos de determinadas substâncias, quer através da sua neutralização (reação antigénio/anticorpo, quelação), quer antagonizando os seus efeitos. Alguns dos antídotos são potencialmente tóxicos.
Tendo em conta o número de substâncias potencialmente tóxicas, o número de antídotos disponíveis é muito limitado.
Neste grupo serão referidos os seguintes antídotos: acetilcisteína, desferroxamina, folinato de cálcio, penicilamina e sevelâmero. Uns destinam-se exclusivamente ao tratamento de intoxicações agudas, outros estão indicados também em situações crónicas.
Existem antídotos tais como a atropina, a vitamina K (fitomenadiona), o azul de metileno, o dimercaprol, a fisostigmina, o glucagom, as oximas, o flumazenilo, a naloxona, o polistireno sulfonato de sódio ou cálcio, e a protamina que, embora não sejam referidos neste capítulo, por serem mencionados em outros capítulos, são também de grande importância. Por exemplo, a atropina desempenha um papel muito importante no tratamento das intoxicações agudas por organofosforados; a sua maior acessibilidade tornaria mais diligente o tratamento deste tipo de intoxicações graves, em que a rapidez de intervenção é de valor inquestionável.
O sevelâmero é um polímero de cloridrato de alilamina que não sofre absorção no trato gastrintestinal e a que se ligam os iões fosfato. Este fármaco está indicado no tratamento da hiperfosfatemia em doentes sujeitos a hemodiálise (V. 12.7.1). O flumazenilo é utilizado na intoxicação por benzodiazepinas; a naloxona é de grande importância na reversão da depressão opiácea, no diagnóstico de suspeita de intolerância aos opiáceos, no diagnóstico diferencial entre coma provocado por opiáceos e o devido a outras causas e na sobredosagem aguda aos opiáceos; o polistireno sulfonato de cálcio ou de sódio utiliza-se na profilaxia e tratamento da hipercaliemia; e, finalmente, a protamina antagoniza a ação da heparina em caso de sobredosagem desta ou de hemorragia por ela induzida sendo ainda útil na neutralização da heparina após circulação extracorporal ou hemodiálise. O idarucizumab é um agente de reversão específico para o dabigatrano (não tendo qualquer eficácia contra outros anticoagulantes, pelo seu mecanismo de ação); trata-se de um medicamento biológico, produzido através de tecnologia de DNA recombinante a partir de células ováricas de hamsters chineses e, como tal, sujeito a monitorização adicional, sendo assim essencial a notificação de qualquer efeito adverso observado. O idarucizumab deve ser usado quando se pretende um efeito de reversão da anticoagulação rápido, nomeadamente no caso de hemorragia não controlada ou que coloque a vida em perigo e em procedimentos urgentes ou cirúrgias em situação de emergência. Trata-se de um medicamento de uso restrito hospitalar .
A naltrexona, um antagonista opióide, por bloquear a ação dos opióides, está indicada no tratamento da dependência aos opiáceos e como adjuvante na prevenção de recaídas de alcoólicos tratados, sendo por essa razão discutida noutro grupo (V. Subgrupo 2.13.3).
A mesna reage especificamente com a acroleína (metabolito da ciclofosfamida e da ifosfamida) no trato urinário, prevenindo a sua toxicidade sobre o urotélio. A dose de mesna a administrar depende da dose e da via de administração utilizada para o fármaco citotóxico. É geralmente bem tolerada, podendo dar origem a náuseas e vómitos quando administrada por via IV. É utilizado por rotina (preferencialmente por via oral) em doentes tratados com ifosfamida e em doentes tratados com doses elevadas de ciclofosfamida por via IV (doses geralmente superiores a 2 g) ou em doentes que em tratamentos anteriores com ciclofosfamida desenvolveram toxicidade do urotélio.
Nota: No nosso país existe um Centro de Informação Antivenenos (808 250 143), cujo contacto pode ser de grande utilidade, pelo tipo de informação vasta e atualizada que pode proporcionar.